10 de julho de 2026
Internacional

Missão de observadores é prova de fogo para o regime sírio, dizem EUA

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Washington - Os Estados Unidos advertiram ontem o ditador da Síria, Bashar al Assad, ao afirmar que a missão de observadores da Organização das Nações Unidas (ONU) é “uma prova de fogo” para o regime. Sete monitores já percorrem o país e a equipe receberá mais 3

membros nas próximas semanas.

 

“Esperamos que os observadores tenham plena liberdade de movimento e acesso completo àqueles lugares da Síria que consideram ser importantes para controlar, além de liberdade para se comunicar e escolher seu pessoal”, afirmou a porta-voz do Departamento de Estado americano, Victoria Nuland.

 

A representante afirma que a interferência do regime na escolha dos observadores é motivo de preocupação para os Estados Unidos. “A Síria não é quem deve decidir os observadores da ONU para essa missão”.

 

Nuland afirmou também que os Estados Unidos pedem a continuação da pressão internacional sobre o regime sírio e que, caso as medidas não funcionem, “voltaremos ao Conselho de Segurança da ONU e buscaremos outras formas de aumentar a pressão”.

 

No sábado, o Conselho de Segurança da ONU aprovou o envio de mais 3

observadores à Síria, que viajarão a Damasco após a permissão do secretário-geral da organização, Ban ki-moon. A missão faz parte do plano de paz do enviado especial à Síria, Kofi Annan, que fixou o cessar fogo no país, em vigor desde o dia 12.

 

O cessar fogo, que inclui também a retirada da artilharia militar de cidades e povoados, é quebrado diariamente por governo e oposição. De acordo com o gripo opositor Comitês de Coordenação Local, pelo menos 6

pessoas morreram na Síria nesta segunda, 37 delas em Hama.

 

 

 

Novas sanções

 

Barack Obama, anunciou ontem uma nova rodada de sanções contra o Irã e a Síria, desta vez mirando empresas e indivíduos que forneçam tecnologia aos dois governos para perseguir ativistas civis.“Essas tecnologias devem existir para dar poder aos cidadãos, não para reprimi-los”, declarou Obama, referindo-se sobretudo aos mecanismos de telecomunicações. “(Estas sanções) são mais um passo rumo ao dia que sabemos que virá, o do fim do regime de (Bashar) Assad.”

 

O discurso foi feito no Museu do Holocausto em Washington ao lado do Nobel da Paz Elie Wiesel, e Obama aproveitou ainda para cortejar o eleitorado judeu.

 

No dia em que pelo menos mais 3

pessoas morreram vítimas da repressão na Síria, o democrata, criticado pela direita nos EUA por hesitar em tomar medidas mais duras contra Assad, enfatizou as ações de seu governo.

 

“Com parceiros e aliados, continuaremos a aumentar a pressão por meio de um esforço diplomático ainda mais amplo para isolar Assad e seu regime, e continuaremos a ampliar as sanções para cortar o dinheiro de que o regime precisa para sobreviver.”

 

Também ontem, a União Europeia anunciou que vetou a venda de produtos de luxo e de produtos que possam ter uso militar ou policial pelo regime em Damasco. 

 

A ONU estima que 9.

foram mortos desde que os protestos começaram na Síria, há pouco mais de um ano.

 

 

 

Telefonia celular

 

As medidas de Obama, parte de um plano para tentar conter abusos de direitos humanos mundo afora, bloquearão bens que as empresas e indivíduos denunciados tenham nos EUA, além de proibir cidadãos e empresas americanas de manterem transações comerciais com eles.

 

Entre os alvos estão o chefe da inteligência síria, Ali Mamluk, e o Ministério da Informação do Irã.

 

Está também a Syriatel, empresa de telecomunicações que detém 55% do mercado de telefonia celular síria, que vem gravando conversas a pedido do governo -como empresas americanas fizeram após 11 de Setembro.