O Dia das Mães de 2
12 deve ter um ingrediente positivo a mais para o comércio, além do fato de ser a segunda melhor data comemorativa do ano em rentabilidade. Bancos públicos e privados iniciaram ontem uma escalada de cortes nas taxas de juros em vários produtos, o que deve impulsionar as vendas neste período.
O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Bauru, Sérgio Evandro do Amaral Motta, espera ansioso pelos reflexos das quedas de juros na prática. “O comércio ainda não está com aquele impulso. Mas com a Caixa (Econômica Federal) e o Banco do Brasil aplicando juros mais baixos, vai incentivar bastante (as vendas). Isso movimenta toda a economia”, projeta.
Segundo Motta, este impulso virá em um momento importante para o comércio, que nesta época do ano costuma estar com as vendas de artigos de inverno em ascensão. “Mas o frio está teimando em não chegar”, lamenta.
Ivan Mouta, gerente-geral do Bauru Shopping, afirma que o empreendimento mostra um crescimento nas vendas de 16% desde o início do ano, comparado ao período de janeiro a abril de 2
11. Mouta diz que, para maio, a perspectiva de crescimento de vendas é de 18%.
Já o presidente da CDL cita que o Dia das Mães de 2
11 superou em 8% as vendas do mesmo período de 2
1
. Para este ano, o objetivo é de superação de resultados.
Ivan Mouta avalia que a redução dos juros irá impactar imediatamente as vendas a crédito, como cartão e financiamento próprio das lojas a prazo. Para ele, a medida trará reflexos imediatos por conta da redução das taxas nos parcelamentos, mesmo de quem não compra a prazo e utiliza o cheque especial ou cartão de crédito.
Bancos privados como HSBC, Itaú e Bradesco também anunciaram ontem cortes nos juros. Segundo Ivan Mouta, a prorrogação da alíquota menor do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), até 3
de junho, também colaborou para dar fôlego maior às vendas no varejo. Ele lembra que a linha branca - geladeira, freezer, fogão, micro-ondas - ainda é uma opção muito utilizada de presente no Dia das Mães.
Presente de marido
O Dia das Mães há muito superou as vendas de outubro e novembro e só fica atrás do Natal em resultados. Portanto, é a segunda mais importante data para o comércio varejista. O lojista e presidente da CDL de Bauru, Sérgio Evandro do Amaral Motta, cita que há uma nova tendência do marido também dar presente para a “esposa-mãe”, e não apenas os filhos.
Ontem, no Calçadão da Batista, Ricardo Duarte confessou que dará um presente para sua esposa, Suzana Duarte. “Assim você quebra a surpresa”, disse à reportagem, ganhando o sorriso de Suzana.
Ele comenta que, às vezes, se une aos filhos Bruno Felipe, 14 anos, Pedro, 8 anos, e Vitória 7 anos, é dá um presente em grupo para ela. Suzana se considera exigente na hora de ganhar os mimos dos filhos e do marido.
No Dia das Mães de 1997, o casal recebeu um presente especial: o nascimento de Felipe. No próximo dia 12, véspera do Dia das Mães, ele completará 15 anos.
Bom e barato
O Banco do Brasil, por intermédio de sua assessoria de imprensa, ressaltou ao JC que aposta na estratégia de atração de novos clientes com o pacote de serviços denominado ‘Bompratodos’, com taxa de 3% no rotativo do cartão de crédito, vantagens no cheque especial como 1
dias sem juros, e parcelamento do saldo devedor também com taxa de 3%.
Segundo o banco, as operações com micro e pequenas empresas desde o lançamento do pacote somam R$ 2,23 bilhões, considerando as linhas de crédito que fazem parte da estratégia. Somente as operações com vendas com duplicatas e cartões de crédito totalizam R$ 1,35 bilhão, incremento de 31,7% do volume liberado em relação ao mesmo período de março de 2
12. O BB estima ter atraído 6
mil novos clientes.
Conforme a assessoria de imprensa na regional do BB, nos primeiros 1
dias houve aumento de 3
% na procura por crédito para financiamento de automóveis. A regional do banco em Bauru compreende 18 municípios.
De acordo com o superintendente estadual do BB, Edson Pascoal Cardozo, a implementação do “Bompratodos” representa uma nova forma de relacionamento, com orientação e disponibilização de taxas extremamente competitivas seja para o consumo ou para a produção, de forma desburocratizada. Ele acrescenta que, nos últimos 3 anos, o banco adotou medidas com o objetivo de melhorar a qualidade do atendimento com a ampliação da rede de agências e do número de funcionários.
Já a Caixa Econômica Federal divulgou, na última sexta-feira, comunicado garantido que, desde ontem, diminuiria as taxas de administração dos fundos ‘Caixa AZULFIC RF Longo Prazo”, de 3% a.a. (ao ano) para 1,5% a.a., e do “Caixa FIC Clássico RF Longo Prazo.’ de 1,85% para 1,4
%.
Crédito para baixa renda
A Caixa Econômica Federal também quer ampliar crédito para o segmento de baixa renda para aquisição de móveis e eletrodomésticos focando somente os beneficiados do programa Minha Casa Minha Vida, do governo federal. Desde ontem, o ‘Cred Móveis Caixa’ oferece taxa de juros mensal de 1% para famílias com renda bruta de até R$ 1.6
,
. Com rendimentos de R$ 1.6
1,
até R$ 3.1
,
, a taxa é de 1,5% ao mês. Quem ganha de R$ 3.1
,
a R$ 5 mil pagará juros de 2%.
Ao financiar R$ 4 mil em 48 prestações fixas a 1% ao mês, o cliente pagará na Caixa cerca de R$ 1
,
de prestação, totalizando R$ 4.8
,
. Segundo comparação do banco, caso o cliente contratasse o mesmo financiamento nas condições médias disponíveis no mercado, com taxa de juros de 6% ao mês e prazo de 24 meses, teria que desembolsar prestações de cerca de R$ 3
,
.
Especialista aposta em crédito seletivo
Diante de tantas opções oferecidas, o economista Wagner Ismanhoto avalia tudo com muita cautela em relação ao “barulho” que as instituições financeiras estão promovendo para atrair os consumidores. Ele entende que o setor bancário será seletivo no momento de conceder o benefício dos juros baixos. Ou seja, apostará no cliente de retorno garantido.
Para desfrutar das vantagens, prevalecerá o relacionamento banco-cliente de sempre, na avaliação dele. Aprovação de cadastro, risco de inadimplência menor e maior potencial financeiro serão avaliados. “Ainda vão ter juros elevados para clientes de alto risco”, aposta.
Ismanhoto alerta para que o consumidor preste atenção nas propagandas que trazem, em letras minúsculas, a famosa frase: “sujeito à aprovação de crédito”. O economista traduz o aviso apontando que somente clientes com perfil específico receberão tratamento com taxas de juros menores. “Esse juro tão barato irá para uma parcela relativamente pequena”, situa.
Por uma questão de disputa de mercado, o economista avalia que as instituições financeiras privadas também vão baixar os juros seguindo os bancos estatais, que convidaram os clientes a migrar de instituição. Porém, Ismanhoto alerta: “Aos olhos do cliente, vai chegar de um jeito. Na prática, vai acontecer com aquela lentidão que os bancos privados sempre usaram quando se trata de baixar juros.”