Não dá para dizer que é surpreendente, mas o anúncio oficial de que o PPS migraria para a base de Rodrigo Agostinho (PMDB) foi o centro das discussões eleitorais de ontem. Um encontro entre lideranças do PPS e do PMDB bateu o martelo no início da tarde e, agora, a legenda, que integrava a oposição desde 2
9, já tem uma direção a seguir nas eleições deste ano. No entanto, perdeu ainda ontem uma de suas cadeiras na Câmara Municipal, embora deva tentar retomá-la na Justiça Eleitoral.
Com dois vereadores, a bancada do PPS nunca foi das mais unidas, mas se rachou de vez com o anúncio da aliança. Moisés Rossi (PPS) sempre torceu pelo acordo eleitoral junto ao governo. Amarildo de Oliveira (PPS), por sua vez, já entregou sua carta de desfiliação da sigla, elaborada ainda durante a sessão legislativa de ontem.
Oliveira explica que não vê sentido na mudança de posicionamento do partido e gostaria de entender quais foram as motivações que levaram o PPS para o governo. “Eu não mudei e essa administração não mudou. Os problemas estão aí e eu não conseguiria sair na rua e pedir votos para o prefeito. Só estou curioso para saber qual foi a negociação que envolveu a aliança”, cutucou.
Com a desfiliação, Amarildo estará automaticamente fora do processo eleitoral deste ano. No entanto, ele já declarou que vai se engajar na campanha de Chiara Ranieri (DEM) para o Palácio das Cerejeiras e do amigo José Roberto Segalla (DEM) para a Câmara de Bauru. O vereador, porém, nega que vá se filiar a algum partido político, apesar da proximidade com os demistas.
Vale lembrar também que o parlamentar já corria o risco de ficar fora da eleição de 2
12, pois ainda tem pendências com a aprovação das contas de sua campanha de 2
8. Oliveira diz ainda que não teme perder seu mandato em razão da regra de fidelidade partidária. “Não vale só para o vereador que muda. Nesse caso, foi o partido que mudou”, pontuou Oliveira.
Legenda
Outro ponto observado por Amarildo de Oliveira tem relação com o número de votos que uma legenda precisa alcançar para eleger um vereador, chamado de coeficiente eleitoral. O vereador, que foi recordista, com mais de 6 mil votos, lembra que, além dos seus, os votos do falecido Jurandyr Bueno Filho foram cruciais para que a sigla fizesse duas cadeiras na Câmara. “Não sei se eles já fizeram essa conta”, desconfia.
O outro parlamentar, Moisés Rossi (PPS), garante, no entanto, que essa não é uma preocupação. Ele faz coro ao discurso do presidente da legenda, Arnaldo Ribeiro, de que o PPS tem uma boa chapa de vereadores para disputar a eleição.
Outra preocupação
Rossi admite que se preocupa, sim, com a possível – e compreensível – interpretação de parte dos eleitores ao questionarem a coerência em estar ao lado da oposição durante todo um mandato e se unir ao governo às vésperas do período eleitoral.
O parlamentar, porém, garantiu que sua postura no Legislativo não vai mudar e continuará votando os projetos de acordo com seu entendimento do que é bom ou não para a cidade. Vale lembrar que Rossi se posicionou radicalmente contra a administração em questões nervais, como a Fundação Regional de Saúde, a cobrança do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) por faixas, a vida útil do aterro sanitário, além do rombo Companhia de Habitação de Bauru (Cohab).
A aliança
A reunião que selou a participação do PPS na coligação de Rodrigo aconteceu no início da tarde de ontem. Representando a sigla ex-oposicionista estavam o presidente Arnaldo Ribeiro e Sérgio Murillo, assessor do deputado federal Arnaldo Jardim (PPS). Do outro lado, estavam o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) e o presidente do partido, Renato Purini (PMDB).
O vereador garante que não houve qualquer tipo de compromisso firmado junto ao partido para a definição da aliança. Vale lembrar que, até alguns meses atrás, o PPS tinha compromisso com o PV, de Clodoaldo Gazzetta. No entanto, o presidente Arnaldo Ribeiro alega que a ‘insegurança’ referente ao lançamento da candidatura do verde fez a parceria esfriar. O PHS acompanha o PPS e os dois partidos estarão juntos na coligação proporcional.