09 de julho de 2026
Política

Câmara cobra legado dos Jogos Abertos

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Publicada na edição de ontem do Jornal da Cidade, a notícia de que o orçamento da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel) vai chegar a R$ 12,7 milhões, quatro vezes mais do que a previsão feita no ano passado, gerou duros posicionamentos de vereadores na sessão legislativa de ontem. Com R$ 3,7 milhões injetados via decreto e mais R$ 2,5 milhões que deverão ser aprovados pela Câmara Municipal, os gastos da pasta vão ser duas vezes maiores do que os previstos para esse ano. Tudo em razão dos Jogos Abertos do Interior, que serão sediados pelo município, em novembro desse ano. A grande dúvida dos parlamentares é: qual será o legado do evento para o desenvolvimento do esporte na cidade.

 

Chiara Ranieri (DEM), por exemplo, admitiu que não sabia do inchaço no orçamento da Semel. A vereadora se auto-intitulou defensora do esporte, mas afirmou que os altíssimos investimentos nos jogos não vão se refletir em resultados práticos. “Seria ótimo se estivéssemos investindo na formação de atletas para as equipes de base. Mas não é isso que está acontecendo. Estamos gastando mais de R$ 8 milhões com um só evento”, pontuou.

 

A falta de atletas competitivos que possam representar Bauru nos jogos foi enfatizada também por José Roberto Segalla (DEM). “Nada justifica uma pista de mais de R$ 4,5 milhões para que as outras equipes façam bonito. E, ainda por cima, tentam vender o sonho megalomaníaco de receber atletas olímpicos para treinar por aqui”, criticou.

 

No mesmo sentido, Roque Ferreira (PT) ressaltou que o município precisa discutir como vai tirar proveito de toda a estrutura que está sendo providenciada a partir do momento em que acabarem as competições do evento. O petista defende a discussão de políticas públicas para o esporte.

 

Marcelo Borges (PSDB) afirmou que os números do orçamento da Semel e dos jogos mostram a falta de planejamento e de um programa de governo da gestão Rodrigo Agostinho (PMDB). “Eles mostraram quais são prioridades. Queriam fazer o asfalto? Não. Preferiram os jogos. Deixaram de lado a construção de creches e até o tratamento de esgoto, que era o xodó do prefeito”, provocou.

 

 

 

Nunca viu

 

Quando os jogos entraram nas discussões na tribuna da Câmara, o vereador – e cada vez mais governista – Fabiano Mariano (PDT) demonstrou otimismo, alegando que a realização dos Jogos Abertos do Interior em Bauru pode ser um marco para o desenvolvimento e o investimento de esporte na cidade.

 

Nos bastidores, porém, o parlamentar afirmou, com conhecimento de causa, de que a realidade não é bem essa. Apitando jogos de basquete há quinze anos na competição, ele afirmou que nunca viu uma cidade-sede ter sido verdadeiramente beneficiada pelos jogos. “Só topam as cidades mais ricas, que já possuem estrutura. Tanto é que Mogi das Cruzes vai receber a competição de novo no ano que vem”, observou.

 

 

 

Emudeceu

 

Quando a vereadora Chiara começou a falar sobre os custos dos Jogos na tribuna, o ex-secretário José Carlos de Souza Batata (PT) quis usar a palavra durante o tempo da parlamentar. No entanto, o regimento interno da Câmara não permitia a intervenção naquele momento, gerando reclamações do vereador.

 

O petista tentou ainda, sem sucesso, interromper o discurso de Marcelo Borges (PSDB). Ao final, porém, perdeu a oportunidade de se expressar e não quis comentar o assunto com a reportagem do Jornal da Cidade. Atualmente ocupando uma cadeira no Legislativo de Bauru, foi Batata quem reivindicou, idealizou e planejou a realização dos jogos na cidade.