08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O HELIPORTO DA FÉ


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Um heliporto é sempre uma obra de grande utilidade, principalmente no fluxo contínuo de negócios, idas e vindas, operacionalidade mais do que comprovada. Num hospital, são os pacientes que chegam para um rápido atendimento, salvando vidas. Nos hotéis, os clientes vips pagam pelo luxo da fuga do caótico trânsito e os famosos na do assédio de inoportunos fãs. No meio empresarial, rapidez e fluidez nas transações comerciais. Porém, seu custo de manutenção é muito alto e quando tudo é colocado na ponta do lápis, mesmo a empresa fazendo uso de helicópteros, continua sendo muito mais rentável fazer o uso do pouso nas pistas convencionais dos aeroportos. Aqui mesmo em Bauru conta-se nos dedos de uma mão os heliportos em funcionamento. O mais famoso helicóptero de Bauru em funcionamento, sempre a sobrevoar a cidade, é o da Polícia Militar. Meio mais do que eficiente para aplacar a ação dos marginais. Sua base está em terra e não no topo de algum edifício, ainda mais numa cidade como a nossa, onde existe muito vazio urbano a ser preenchido.

Um me assustou outro dia. Circulava pelo centro da cidade e, ao olhar para cima, descendo pela rua Bandeirantes, cruzamento com a Virgilio Malta, deparei-me com uma grandiosa obra, talvez o maior heliporto do interior paulista. Achei que pudesse ser da rádio Auri-Verde, pela posição em que se encontrava construído. Não era. Só podia ser dos Correios, que dessa forma agilizariam a rapidez na entrega das correspondências. Também não era. Então, só podia ser da Câmara dos Vereadores, num gasto excessivo e nababesco. Constatei não ser e me redimo pela errônea acusação. Quando vi não ser também da polícia, entrei em parafuso.

Cocei a cabeça até identificar o dono da faraônica estrutura de ferro e aço no alto de uma baixa edificação. Era de um templo religioso. Sem entender, fico a matutar: o que uma interiorana igreja, numa cidade de pouco mais de 350 mil habitantes, faz com um majestoso heliporto encravado no topo de seu templo? Refeito do susto, penso em organizar uma lista de necessitados, os com dificuldade de locomoção e financeira, daqui para outros centros urbanos.

Submeterei tudo à administração daquele empreendimento e, na aceitação, Bauru terá uma utilização das mais profícuas para obra de tamanha envergadura. Não vejo outra. Positivamente, Bauru já pode ser inserida na rota dos grandes voos de helicópteros. Venero os que pensam sempre para frente, altaneiros, pujantes, progressistas, levantadores de pirâmides e cheios de fé. Ela sempre em primeiro lugar.

Henrique Perazzi de Aquino ? jornalista e professor de História