11 de julho de 2026
Bairros

Polícia encontra ossada de homem desaparecido há três anos em Jaú

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Jaú – O mistério envolvendo o desaparecimento, em maio de 2

9, do pintor Boanerges Garcia Júnior, na época com 27 anos, chegou ao fim ontem à tarde, em Jaú (47 quilômetros de Bauru), com localização de ossada que, preliminarmente, a Polícia Civil acredita ser dele. O desfecho do caso contou com ingrediente nada comum. Alegando estar arrependido, na noite de anteontem, Everton Henrique Batista, 23 anos, procurou o plantão policial para confessar que havia matado a vítima com seis tiros ao descobrir que ela tinha a intenção de roubar a parte que lhe cabia em um assalto.

De acordo com o delegado titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Jaú, Gustavo Alonso Garmes, após a confissão do jovem, a equipe de plantão acionou os policiais civis da DIG. “Ele falou que seria o Boanerges a vítima e indicou o local do crime, um canavial entre as cidades de Mineiros do Tietê e Jaú”, conta.

 

Ontem, durante todo o dia, a polícia fez buscas na região, que fica às margens da rodovia SP-3

4, próximo a um posto de gasolina desativado. As escavações contaram, inclusive, com apoio de uma retroescavadeira cedida pela prefeitura de Jaú. “Além de profundo, o local era um pouco extenso para a gente cavar só com a pá”, afirma.

 

Por volta das 16h3

, a ossada, que ao que tudo indica é de Boanerges, foi encontrada. A tese de que ela seja mesmo do pintor desaparecido é reforçada pelo aparelho dentário que ele utilizava na época. Quando os policiais desenterraram o crânio, perceberam que havia um aparelho semelhante ao da vítima preso na arcada dentária.

 

“Agora nós vamos ter que fazer o exame de DNA para fazer o confronto e ver se trata-se do Boanerges ou não”, explica o titular da DIG. A Polícia Científica realizou perícia no local e a ossada foi enviada ao Instituto Médico Legal (IML) de Jaú para a coleta de material genético que possibilitará sua posterior identificação.

 

 

 

Arrependimento

 

Everton Henrique Batista contou à Polícia Civil que decidiu matar o pintor Boanerges Garcia Júnior ao descobrir que seria traído por ele. “Ele alega que eles iam cometer um roubo numa lotérica em Mineiros. O autor ficou sabendo por meio de terceiros, que ele não citou o nome, que o Boanerges iria roubá-lo após esse assalto”, conta o delegado Gustavo Garmes, titular da DIG.

 

Um dia antes da data marcada pela dupla para o assalto, o acusado foi até o canavial, onde escondia um revólver calibre 38 e um simulacro de arma de fogo, e cavou um buraco que, posteriormente, serviria de cova para o até então comparsa. “No dia combinado para o roubo, os dois foram até o local para pegar as armas e ele aproveitou para disparar seis vezes contra a face de Boanerges”, revela Garmes.

 

Após os disparos, Everton enterrou o corpo do pintor. Familiares da vítima registraram seu desaparecimento no dia 3 de maio de 2

9. Na ocasião, a mãe adotiva de Boanerges declarou que o havia visto pela última vez num domingo e que ele estaria jurado de morte por várias pessoas. O pintor tinha passagens por porte de entorpecentes e furto.

 

Alegando arrependimento, depois de três anos, Everton decidiu procurar a polícia. “Ele falou que ontem (anteontem) bebeu um pouco de cerveja e de pinga e, com a proximidade do Dia das Mães, ficou arrependido e resolveu contar a verdade”, afirma o delegado. O titular da DIG, porém, ressalta que essa versão ainda será objeto de investigação.

 

Diante da confissão preliminar do acusado e da localização da ossada da vítima, a Justiça concedeu a prisão temporária dele por trinta dias. Ainda ontem, ele foi conduzido à Cadeia Pública de Barra Bonita. 

 

Nos próximos dias, o jovem será ouvido novamente na DIG. O delegado explica que ele deve ser indiciado pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver.