09 de julho de 2026
Bairros

Suspensões tentam ?conter? alunos

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 5 min

A Escola Estadual (EE) da Pousada da Esperança, em Bauru, tem sido palco de atos de violência que estão desafiando a direção da escola e a própria Secretaria de Estado da Educação para tentar resolver os problemas. Conforme apurado pelo JC, recentemente cerca de 2

estudantes do ensino fundamental foram suspensos para que a secretaria possa controlar a unidade escolar. Anteontem, policiais da Base Comunitária de Segurança Leste foram acionados pela direção para contornar mais um tumulto causado por alunos. 

 

No mais recente ato de violência causado por estudantes, nesta segunda-feira, conforme denúncia feita ao JC uma funcionária foi atingida por um tênis arremessado contra uma inspetora. O alvo da mobilização de parte dos estudantes era a nova diretora, designada pela Diretoria Regional de Ensino de Bauru e que não agrada o grupo de “alunos-problema”, que conheceria o currículo disciplinador dela em outras escolas estaduais. 

 

Conforme informações extraoficiais, esse grupo de alunos impediu, na volta do intervalo, que estudantes e professores tivessem acesso às salas de aula em protesto pela chegada da nova diretora. Nesse momento, professores e outros estudantes passaram a usar a rampa de acesso a cadeirantes, momento em que uma professora teria sido atingida por um tênis arremessado por alunos. 

 

A PM foi acionada para dar suporte à direção da escola na retomada do espaço público. Segundo informações, na ocasião houve a suspensão de aproximadamente 1

estudantes que se envolveram no protesto. Pelo menos outros 1

estudantes teriam sido identificados para a direção e também podem ter o mesmo destino. 

 

Ao longo desta terça-feira, rumores davam conta de que teria ocorrido uma expulsão em massa, de aproximadamente 25 alunos da escola. Em nota oficial, a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Educação negou. 

 

“Não procedem as afirmações de que 25 alunos da Escola Estadual Pousada da Esperança teriam sido transferidos compulsoriamente desde o início do ano letivo. Todos os alunos envolvidos em atos de vandalismo na unidade foram suspensos de acordo com o regimento escolar e os seus responsáveis foram acionados para uma reunião com a direção da escola, a fim de relatar o ocorrido e enfatizar a importância da parceria entre família e escola para a preservação do patrimônio escolar. Nenhum aluno foi transferido compulsoriamente”, cita a nota.

 

“Cabe salientar que a Diretoria Regional de Ensino de Bauru designou uma nova diretora para atuar na escola e tomou todas as medidas cabíveis em relação aos fatos registrados na unidade recentemente. O caso está sendo acompanhado pelo Ministério Público e pelo Conselho Tutelar”, acrescenta a assessoria.

 

 

 

Representação

 

A reportagem do JC também obteve uma informação, confirmada pela Secretaria de Educação, de que o Ministério Público foi acionado em uma representação relatando as mazelas, como falta de estrutura, os constantes problemas de violência e consumo de drogas que ocorrem no interior da EE Pousada da Esperança, instalada no Parque Bauru e que atende a Pousada I e II, Vila São Paulo e Parque Bauru.

 

Quanto à reclamação de pais de que as classes estão lotadas, a Secretaria de Educação esclareceu, há duas semanas, que a pasta cumpre a resolução que recomenda média de 3

alunos em classes de ciclo 1 do ensino fundamental e 35 estudantes em salas de ciclo II, e 4

em classes de ensino médio.  

 

Com o lema “acabaram as rebeliões aqui dentro”, uma nova diretora assumiu na última segunda-feira, modificando hábitos e incomodando. A reportagem apurou que a nova diretora e os alunos-problema são conhecidos de outras unidades, por isso, a escolha dela para dirigir a escola. 

 

 

 

Intimidação X falta de estrutura

 

No processo de violência e disputa de poder entre os alunos, professores também foram alvo de intimidação na manhã de 26 de março, segundo descreveu matéria do JC. Duas professoras da escola foram surpreendidas após a aula com seus veículos riscados. 

 

De acordo com informações do boletim de ocorrência (BO), as professoras afirmaram que um dos alunos estava no estacionamento da rua José dos Santos Garcia acompanhado de mais um adolescente. A polícia abordou os dois suspeitos, mas ambos negaram a autoria do vandalismo.

 

Em fevereiro deste ano, o JC registrou a indignação das mães com relação à falta de estrutura da EE Pousada da Esperança. A auxiliar de costura Regina Célia Domingues, 39 anos, definiu a situação como “lamentável”. “É ver como a Escola Estadual Pousada da Esperança foi entregue à comunidade. Falta de funcionário até professores, não servem merenda porque a cozinha não está pronta, as crianças passam calor porque não tem ventiladores nas salas”, contou.

 

 

 

Guerra contra a polícia

 

Um estudante da EE Pousada da Esperança lançou uma bomba de fabricação caseira contra policiais militares na manhã do último dia 11, conforme noticiou o JC. Horas antes, o mesmo jovem recebeu uma advertência por agredir um colega de classe. O aluno de 17 anos foi encaminhado ao plantão da Polícia Civil. 

 

“Desde que a escola começou a funcionar, no começo deste ano, a equipe da ronda escolar é acionada cerca de duas vezes por dia para atender a unidade”, afirmou o tenente André Arashiro.

 

 

 

No início do mês, escola chegou a ser alagada durante um ‘protesto’

 

A falta de comando tomou a Escola Estadual Pousada da Esperança na manhã do último dia 1

, quando os corredores e salas de aula foram inundados por água quando alunos depredaram um hidrante, conforme matéria publicada pelo JC. De acordo com um funcionário e um pai de aluno, foram os próprios estudantes os responsáveis pela ação. Versões dão conta de que a motivação foi vandalismo e falta de professores. 

 

Uma terceira versão apurada ontem pelo JC dá conta de que professores e alunos teriam ficado trancados nas salas de aula e a lâmina d’água teria atingido 3

centímetros de altura. Neste caso, o caos foi provocado como forma de represália à presença na unidade escolar da dirigente da Diretoria Regional de Ensino de Bauru. 

 

Um vídeo feito por celular postado na Internet mostra alunos depredando o hidrante enquanto a água jorra para os corredores. O tumulto é generalizado. Em um determinado momento, estudantes começam a mergulhar e a deslizar na lâmina d’água, que toma conta do corredor. A Secretaria de Estado da Educação informa que foi solicitada a retirada do vídeo da Internet. 

 

O entendimento da secretaria é de que o alagamento provocado não seria um protesto por falta de professores. “A ação dos estudantes, no final do período da manhã desta terça-feira (1

/

4), não passou de um ato de vandalismo”, afirmou na oportunidade em nota encaminhada ao JC.