08 de julho de 2026
Polícia

Abril violento deixa ?rastro de sangue?

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 5 min

Um mês manchado de sangue. É assim que está sendo abril para os bauruenses. O período já registrou cinco homicídios, sendo que um deles foi um latrocínio - roubo seguido de morte - de um homem de 65 anos. Nos outros casos, a crueldade impressiona, indo desde um homem morto a tijoladas e queimado até outro que, na manhã de ontem, levou mais de 2

tiros ao chegar no trabalho (leia mais abaixo).

 

Para se ter uma ideia da violência de abril, o período foi responsável por alavancar as estatísticas dos assassinatos. O número é superior ao total registrado nos três meses anteriores, quando, de acordo com levantamento do JC, ocorreram quatro mortes violentas.

 

Além do número, outros fatores chamam a atenção. O primeiro é que não há lugar para a violência aparecer: os crimes foram registrados em diferentes regiões de Bauru (veja na ilustração). 

 

Já o segundo é a brutalidade com a qual os assassinatos estão sendo cometidos. O primeiro caso foi o de um reeducando beneficiado pela saída temporária de Páscoa atingido, no Parque Jaraguá, mais de 2

vezes por uma arma cortante.

 

Dois dias depois, no Fortunato Rocha Lima, outra vítima foi morta a tijoladas e o corpo ainda foi carbonizado. A violência foi tamanha o corpo não foi reconhecido e ele foi enterrado como indigente. Mesma brutalidade apresentada na manhã de ontem, quando um homem foi morto com mais de 2

disparos. 

 

O mês também foi marcado pelo primeiro latrocínio do ano. Anteontem, morreu João Caetano, 65 anos. Ele era funcionário de uma marcenaria, na Vila Ipiranga, que foi assaltada no domingo passado. Na ocasião, os assaltantes o acertaram com um pé-de-cabra na cabeça. Ele ficou internado, porém, não resistiu.

 

De acordo com o que a reportagem apurou, seu corpo estava sendo velado ontem em Campinas. Na marcenaria onde trabalhava, as portas estavam fechadas com o aviso: “estamos fechados por luto”. 

 

 

 

Preocupante

 

O titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Kleber Granja, acredita que a violência que explodiu durante este mês seja algo circunstancial. Segundo ele, o homicídio não é um crime que há como prever. “É o tipo de ocorrência que foge de qualquer interpretação”.

 

Ele, entretanto, destaca o caráter e a violência dos crimes. Juntando tanto os assassinatos quanto as tentativas, o delegado afirma que a maioria dos casos parece ter ligação com acertos de contas. “Isto é algo preocupante”.

 

Por isso, o delegado “investe” contra as saídas temporárias. Segundo ele, muitos aproveitam a oportunidade para executar as “missões do crime”. “E os beneficiados não são só autores. Eles são vítimas também. Como estão aqui fora, acabam se tornando vítimas. E a ‘saidinha’ do Dia das Mães está chegando”, relembra o delegado, em tom de alerta.

 

O major Flávio Jun Kitazume, comandante interino do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I), também afirma estar preocupado com o número de homicídios deste mês. “Pelas características, os casos se parecem com acertos de contas. É algo que preocupa bastante. Por isso, estamos intensificando o patrulhamento nos bairros onde os crimes ocorreram e buscando informações”, completa. 

 

 

 

Passado das vítimas dificulta investigações

 

Em nenhum dos casos, até agora, qualquer suspeito foi detido. O titular da DIG, Kleber Granja, afirma que, em pelo menos dois deles, as investigações já estão bastante avançadas. Ele, entretanto, não revela quais são esses casos para não atrapalhar as apurações. Segundo o delegado, um dos principais obstáculos é o passado das vítimas.

 

Ele explica que, quando a vítima não possui passagens criminais, é mais fácil traçar as linhas de investigação. Este, porém, não é o caso da maioria dos homicídios registrados este mês.

 

“É algo que dificulta muito. Quando a pessoa tem uma rotina tranquila, qualquer fato anormal nos dá pistas. Em alguns destes casos, as hipóteses são muitas. São crimes que não nos deixam vestígios justamente pelo grande número de possibilidades”, completa o delegado.

 

 

 

Sobreviventes

 

E o mês violento em Bauru não foi marcado somente pelos assassinatos. Algumas tentativas de homicídio também “mancharam” o período. Na noite de anteontem, um vendedor de 29 anos conseguiu fugir de uma tentativa de assalto no Ouro Verde após ser atingido por oito disparos. O mais impressionante é que, mesmo ferido, ele dirigiu sua caminhonete S1

por mais 3

metros.

 

No começo do mês, outra tentativa de homicídio também chamou a atenção. Na ocasião, um vigilante recebeu cinco golpes de faca em pleno dia na região central da cidade. Ele caminhou várias quadras antes de ser socorrido. O suspeito chegou a ser identificado e detido pela Polícia Civil esta semana, entretanto, o mandado de prisão temporária não foi expedido pela Justiça e ele responde ao processo em liberdade. 

 

 

 

Roubos de veículos caem

 

Ontem, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) divulgou os dados mensais da criminalidade. A atualização se refere até o mês de março. Segundo os dados, a região de Bauru apresentou redução nos roubos de veículos. No primeiro trimestre de 2

12, houve diminuição de 4

,68% sobre o ano passado. 

 

A região também registrou diminuição de dois casos nos números de roubos seguidos de morte. De abril de 2

1

a março de 2

11, foram sete registros contra nove entre abril de 2

11 e março de 2

12. 

Mês manchado de sangue

 

6/

4

Sérgio Valério de Moraes, 39 anos, foi assassinado no Parque Jaraguá com mais de 2

golpes de um objeto pontiagudo. Ele estava na “saidinha” de Páscoa. 

 

8/

4

Um homem, que foi enterrado como indigente, foi morto a tijoladas no Fortunato Rocha Lima. O corpo do homem foi carbonizado.

 

9/

4

Um vigilante de 44 anos foi esfaqueado durante o dia na região central da cidade. A vítima, mesmo feriada, andou três quadras antes de ser socorrida. Por sorte, não morreu.

 

22/

4

Um homem foi encontrado morto, no bairro Leão XIII, com três tiros: nas costas, pescoço e na cabeça. Sem documentos, a vítima não foi reconhecida.

 

22/

4

Durante roubo em uma marcenaria, na Vila Ipiranga, um homem de 65 anos, funcionário do local, foi atingido por um pé-de-cabra. Dois dias depois, ele não resistiu e morreu.

 

24/

4

Após tentativa de assalto no Jardim Ouro Verde, um homem foi baleado por uma dupla em uma moto. Mesmo atingido por oito disparos, ele conseguiu fugir. 

 

25/

4

Quando chegava para trabalhar em uma oficina no bairro Nova Esperança, André Luiz Leite, de 35 anos, foi morto com mais de 3

tiros por um trio.