09 de julho de 2026
Política

Falta de gestão põe em risco produção de água

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Muito além da falta d’água. Essa é a realidade do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru no que tange às falhas de planejamento e procedimentos administrativos. Ontem, por exemplo, a autarquia recebeu 1

toneladas de cloro, compradas em regime de urgência, para evitar um colapso na distribuição de água no município.

 

Isso porque o produto é essencial para garantir a qualidade da água que chega às casas dos bauruenses e, embora o pedido de compra do cloro tenha sido feito em novembro do ano passado, a licitação foi aberta apenas no último dia 1

de abril, com abertura de envelopes com as propostas financeiras, marcada para o dia 2 de maio.

 

A lentidão, que ainda precisa ser explicada pela autarquia, fez com que a reserva de cloro do DAE chegasse perto do fim, forçando a aquisição do produto em regime de urgência pela autarquia. 

 

As 1

toneladas entregues ontem, porém, são suficientes para garantir o tratamento de água por apenas 6

dias. O diretor da Divisão de Produção e Reservação, Igor Fournier, acredita que este tempo será suficiente para a conclusão do processo de licitação e entrega do produto pela empresa vencedora.

 

Acontece que, até mesmo por experiências do próprio DAE, licitações públicas são sempre passíveis a darem errado por uma série de fatores, seja por esvaziamento de interessados, apresentação de recursos de concorrentes ou impugnação do edital pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). Resta, agora, torcer para que não seja o caso desse processo em questão, para que a autarquia não corra riscos de ficar sem o produto.

 

A licitação que está em curso prevê a aquisição de 63 toneladas de cloro em cilindros de 9

quilos. A previsão de consumo é de aproximadamente 5,25 toneladas ao mês.

 

 

 

Paralisação da ETA

 

A falta de cloro para o tratamento de água geraria um colapso – ainda maior – em Bauru, pois, de acordo com Igor Fournier, interromperia a distribuição de água produzida na Estação de Tratamento de Água (ETA), responsável por 4

% do abastecimento da cidade. “Seria o caso de parar a ETA”, admite o diretor.

 

Especialistas consultados pelo Jornal da Cidade enfatizaram que o cloro é a única substância capaz de matar micro-organismos presentes na água, como os coliformes fecais. Sem o produto, qualquer outro processo de tratamento se torna vão.

 

Para garantir que a água de Bauru não ficasse sem cloro, além da compra emergencial, foi necessário utilizar parte dos estoques do produto de unidades de reservatório, que não foram especificadas por Fournier.

 

O diretor confirmou que surgiram rumores de que, na madrugada de terça para quarta-feira, a ETA teria distribuído água sem cloro na rede. No entanto, Igor garante que isso não ocorreu. “Existe uma regulamentação que deve ser seguida e nós coletamos amostras diárias que são enviadas à Vigilância Sanitária. Há também o controle eletrônico da água distribuída em diversos pontos do sistema”, reafirma.

 

A legislação prevê que a concentração de cloro deve girar entre

,2 miligramas e 2 miligramas por litro.

 

 

 

Sempre em reunião!

 

A gestão do presidente Fábio Lara à frente do DAE é marcada pelas ‘reuniões’. Pelo menos essa é sempre a argumentação dele, e de alguns membros da direção, para não poder falar com o JC.  São horas e horas diárias que o dirigente passa dentro de uma sala com sua equipe. Ontem, não foi diferente. Ele alegou que estava em uma reunião e não poderia recrutar alguém do setor de compras para esclarecer o caso ao JC. No entanto, afirmou que considerava o fato ‘esgotado’, em razão da compra emergencial do cloro.

 

 

 

É preciso explicar

 

Além do risco de ocasionar um caos ainda maior em Bauru, caso a ETA fosse paralisada, a situação mostra mais uma grave falha no planejamento e no sistema de compras do DAE. Igor Fournier ressalta que fez o pedido de aquisição do produto no dia 7 de novembro de 2

11, mas não soube explicar as razões na lentidão para a abertura da licitação.

 

A reportagem procurou a diretora de Compras, Hilda Cardoso da Silva. Ela afirmou, porém, que estava em meio a um pregão eletrônico e transferiu a ligação para a assessoria de imprensa, que já havia sido acionada, mas não conseguiu fazer o contato com a responsável nem atendeu o ramal telefônico depois das 17h.