08 de julho de 2026
Cultura

Som repaginado

Mariana Cerigatto com Redação e João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 3 min

“Cheia de Charme”, “Planeta Água”, “Meu Mundo” e “Nada Mais”. Esses são alguns clássicos que o cantor e compositor Guilherme Arantes pretende tocar em seu show em Bauru hoje, na Sociedade Hípica de Bauru, a partir das 22h3

, que marca seus 35 anos de carreira. A abertura será feita pelo Musical KDois, a partir das 21h.

 

Além de cantar sucessos inesquecíveis, em apresentação sob formato solo, Arantes promete “passear” por sua carreira e “repaginar” sua sonoridade. Não apenas todos os grandes hits estarão no show, mas também diversos resgates históricos que ajudaram a construir o seu acervo invejável.

 

No final da década de 7

, ainda num Brasil sob o regime militar, a música brasileira vivia um período de virulentas transições. Guilherme, que vinha de experiências mais radicais como os LPs “A Cara e a Coragem” e “Coração Paulista”, estava então na linha de frente de sua geração. Gerando moda, Guilherme cravou hits inconfundíveis e eternos, na forma de uma sonoridade eletroacústica, antecessora do longo reinado dos sintetizadores que viria a seguir.

 

Um exemplo dessa trajetória foi a seqüência de composições interligadas entre si, tais como “Coração Paulista”, antecessora de “Perdidos na Selva” (sucesso da Gang 9

, parceria de Guilherme com Julio Barroso e considerada um marco do pop rock no Brasil - influência evidente de Blitz e demais new-wave bands posteriores). Mais tarde, veio “Lindo Balão Azul” (sucesso do especial Pirlimpimpim).

 

 

 

Sobrevivente

 

O repertório de Guilherme ainda sobrevive num mercado volátil, em enorme transformação dos suportes de mercado (do vinil para o CD, do CD para o DVD, o advento dos vídeo-clipes, do DVD para o MP3, daí  para a Rede, etc).

 

E ainda consegue fazer parte de várias gerações anteriores e safras subseqüentes, sendo gravado e regravado por nomes que vão de Roberto Carlos a Pedro Mariano, de Caetano Velloso a Nando Reis, de Zezé di Camargo a Cesar Menotti & Fabiano, de Flavio Venturini a Gabriel O Pensador, de Chitãozinho & Xororó a Sandy & Junior, etc.

 

Para completar os 35 anos de carreira, Guilherme é homenageado com o lançamento do coletivo “A Cara e o Coração”, de bandas da nova cena do rock alternativo de Salvador, interpretando as músicas dos (tidos como “cult”, junto com o Moto Perpétuo ) LPs “A Cara e a Coragem” e “Coração Paulista”.

 

 

 

 

A Sociedade Hípica fica na av. José Henrique Ferraz, 7-15. Ingressos podem ser adquiridos na Hípica, cujo telefone é (14) 3236-1255. Mesa para quatro pessoas custa R$ 2

,

.

 

 

Um pouco mais de Guilherme

 

É recordista em temas de novela da Globo com 25 músicas. Curiosamente, a novela “Cheias de Charme”, que está no ar, não traz canção sua. “Cheia de Charme”, no singular, é um de seus sucessos dos anos 8

.

 

Guilherme está com 17 shows marcados para os próximos meses em cinco estados, além de duas apresentações em alto mar para 2

13

 

Ele já contribuiu com o rock. Teve a banda “Moto Perpétuo” no início de carreira, até 1975. Em 1981, compôs “Perdidos na Selva” com Júlio Barroso, música que marcou o início do pop rock dos da geração 8

 

“Coisas do Brasil” (“Foi tão bom te conhecer...”) é parceria com crítico e escritor Nelson Motta

 

Para muitos, a letra da música “O Melhor vai Começar” é uma das mais inspiradas: “Eu quero o sol\Ao despertar\Brincando com a brisa\Por entre as plantas\Da varanda\Em nossa casa\Eu quero amar\É lógico\Que o mundo não me odeia\Hoje eu sou mais romântico\Que a Lua Cheia.

 

“Planeta Água” foi recebida ao coro de “já ganhou” pelo público do festival MPB Shell de 1981, no Maracanazinho, mas perdeu para “Purpurina”, de Lucinha Lins

 

“Amanhã” já foi regravada por Caetano Veloso.