08 de julho de 2026
Polícia

Mãe que abandonou bebê é encontrada

Marcele Tonelli com Redação
| Tempo de leitura: 3 min

“Eu não tinha como ficar com ela. Eu não quero falar.” Essas foram as duas frases ditas repetidamente por I.S.P., mãe da recém-nascida abandonada na noite do dia 19 de abril na porta de um estabelecimento no Jardim Bela Vista, em Bauru. A mulher, que foi localizada pela Polícia Civil na manhã de ontem, prestou depoimento na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e responderá pelo crime em liberdade.

 

Após uma semana da abertura do inquérito na DDM, a polícia conseguiu encontrar - em um endereço não divulgado à imprensa - a mulher, de 32 anos. Um macacão que a criança usava no dia do crime com o nome da Maternidade Santa Isabel teria ajudado nas investigações. 

 

Por conta do vestígio, a polícia solicitou ao hospital uma lista com a relação das gestantes que teriam passado pela unidade nas últimas semanas. A acusada foi encontrada por volta das 9h3

de ontem após um trabalho minucioso da polícia junto a cada uma das mulheres da lista. “Quando chegou na vez dela, ela não nos apresentou nenhuma criança”, ressalta a delegada titular da DDM, Priscila Alferes.

 

Acuada no canto da porta principal da delegacia e com as mãos trêmulas, ela não quis responder todas as perguntas feitas pela imprensa. Com a voz firme e os olhos marejados, disse apenas que não possuía condições de permanecer com a criança e preferiu não comentar os motivos que a fizeram abandoná-la alguns dias após o nascimento.

 

“O pai da criança sabe que ela nasceu, mas ele não é de Bauru, e não sei se ele concorda de eu não ficar com ela. Ele não apareceu mais”, relata a acusada que, segundo a delegada, tem outros filhos.

 

“Não entraremos em detalhes porque ela não quer ser identificada pelo fato da família não saber e ela não querer envolver os filhos”, aponta a delegada Priscila Alferes.

 

Em depoimento, I. alegou que, por falta de condições financeiras, teria levado a criança para um abrigo na noite do crime, mas ao encontrar o local fechado, procurou um estabelecimento comercial onde havia pessoas trabalhando para que a criança pudesse ser encontrada por alguém.

 

No relato à delegada, mesmo após arrepender-se do ato, a mulher também afirmou não ter intenções de ficar com a filha. Ela foi indiciada por abandono de incapaz, sendo que a pena varia de 6 meses a 3 anos de reclusão, e deverá responder pelo crime em liberdade.

 

I. deixou a DDM em uma viatura da Polícia Militar e foi levada de volta para o trabalho.

 

 

 

A criança

 

Desde o último dia 23, a recém-nascida, que teve alta médica da Maternidade Santa Isabel, permanece abrigada. Por questões de segurança não foi divulgado se ela iria para uma “Família Acolhedora” - programa que atende recém-nascidos, crianças, adolescentes ou grupos de irmãos em situação de risco pessoal e social - ou para um abrigo da cidade.

 

Até a tarde de ontem, o juiz da Vara da Infância e Juventude em Bauru, Ubirajara Maintinguer, não havia sido comunicado pela DDM sobre o encontro da mãe.

 

“Ela continua no abrigo. Caso a mãe não queira ficar com a criança, a família biológica pode assumir a guarda, desde que tenha afinidade e afetividade com a criança. Mas como se trata de recém-nascida, é pouco provável que ela fique na família se a mãe se manifestar contra. Afinal, ela foi abandonada”, afirma o juiz, que não descarta a possibilidade do bebê seguir para uma família substituta. 

 

 

 

Relembre o caso

 

Por volta das 22h do dia 19 de abril, Jurandir Pereira dos Santos, 47 anos, proprietário de uma gráfica no bairro Bela Vista, encontrou a recém-nascida abandonada dentro de uma sacola de papelão na porta lateral de sua loja, na quadra 1

da rua Afonso Pena. 

 

O bebê, uma menina com aproximadamente 3 dias de vida na ocasião, ainda vestia roupas da maternidade e um macacão vermelho de plush quando foi encontrado por Jurandir. 

 

A recém-nascida, que precisou de uma sonda para ser alimentada no Pronto-Atendimento Infantil (PAI) no dia do abandono, recebeu alta médica no último sábado, mas permaneceu na Maternidade Santa Isabel até segunda-feira. Depois disso, o local onde ela foi abrigada não foi divulgado.