Washington - Em evento na Câmara dos Representantes (deputados) dos Estados Unidos na quinta-feira, congressistas americanos e especialistas de vários países criticaram duramente os governos latino-americanos pela piora na liberdade de imprensa na região. O Brasil foi poupado. “Alguns desses líderes (latinos) podem até ter sido eleitos democraticamente, mas não governam democraticamente”, disse Ileana Ros-Lehtinen (republicana conservadora da Flórida), que preside a comissão de Relações Exteriores da Câmara.
Ros Lehtinen, filha de refugiados do regime de Fidel Castro, dedicou boa parte de seu discurso a Cuba, que, afirmou, “segue sendo um modelo de Estado autoritário que persegue todos os seus críticos”.
Venezuela, Equador, Panamá, Bolívia e Argentina - cuja presidente, Cristina Kirchner, “manipula a compra de anúncios para punir meios críticos ao governo” - tambem mereceram menções.
Kirchner também “tenta silenciar jornalistas e economistas que tentam falar sobre a situação econômica do país”, afirmou Ros-Lehtinen. Buenos Aires é regularmente acusada por analistas independentes de maquiar índices oficiais de inflação.
Praticamente a totalidade do evento foi dedicada a problemas em países com governos de tendência esquerdista.
O Equador foi foco especial devido à presença de um ex-presidente (Osvaldo Hurtado, 1981-1984) e dois atuais congressistas de oposição, que acusaram o presidente Rafael Correa de ter eleito jornalistas como inimigos número 1 do Estado.
Um dos membros da Assembleia equatoriana, Enrique Herrería, chegou a dizer que há um plano para fraudar eleições e cometer atos antidemocráticos por toda a região.
O plano, disse, começou com uma reunião de governistas no Brasil em 1990, alusão à edição daquele ano do Foro de São Paulo, reunião de partidos esquerdistas regionais. O presidente da Bolívia, por sua vez, foi acusado pelos presentes de não ser um governante, mas um líder do narcotráfico devido a sua ligação com os cocaleiros bolivianos.
Diante da disputa ideológica que se armava, o deputado Eliot Engel (Nova York), mais importante democrata da subcomissão da Câmara para o Hemisfério Ocidental, disse que “não importa se o governo é de direita ou esquerda, somos sempre contra a censura”. Ele mencionou os casos de Cuba, Equador, Venezuela e Honduras e disse ser impossível não critica-los. “Cuba é um dos piores ambientes para jornalistas no mundo. É uma ditadura brutal, ainda tem o disparate de apontar o dedo para outros países”, afirmou.
“O Equador tenta punir jornalistas que ofendem o presidente Rafael Correa. Que crime é esse? Muito pior é a ofensa de Correa a nós (pela censura).”
Engel finalizou com um apelo pela união nos EUA contra a censura na região. “Não importa se somos democratas ou republicanos, graças a deus somos americanos”, disse.
Um dos organizadores do painel, o ex-subsecretário de Estado para o Hemisfério Ocidental Otto Reich, afirmou que os EUA seguirão tentando ajudar os países latinos a reagir contra ameaças à liberdade de imprensa.
À reportagem ele afirmou que há ações específicas sendo planejadas para isso, mas não quis detalhar quais.Indagado sobre o Brasil, Reich disse que “não parece que a imprensa brasileira está sob o tipo de ataque que alguns dos países destacados estão”.
O evento, organizado por grupos conservadores, ainda ouviu outros oito jornalistas, editores e outros membros da imprensa latina sobre suas experiências com a censura e a pressão governamental dos governantes da região.