09 de julho de 2026
Cultura

Poesia em movimentos

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 3 min

Imagine qual deve ser a sensação de interpretar a citação de um poema, uma poesia ou um som através de movimentos e gestos. Tornar visíveis as expressões da fala ou da música é uma das “missões” da Euritmia, que pode ser descrita como uma forma de arte executada por solistas e grupos como parte de teatro, cujo objetivo é mobilizar alma, corpo e espírito. E, para comemorar a existência de 100 anos dessa manifestação artística, os alunos do 3º ano das escolas Waldorf Viver (Bauru) e Aitiara (Botucatu) unem-se para apresentar o espetáculo de Euritmia “Apenas Um”. O evento acontece às 20h deste domingo, no Teatro da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da Universidade de São Paulo (USP).

A apresentação, que conta com a participação de aproximadamente 23 alunos, na faixa etária dos 17 e 18 anos, é regada a muita música, dança e emoção, conforme descreve a professora de dança e tutora da turma, Marina Cangiani Lopes, da Viver de Bauru. “No espetáculo, temos poesias ou histórias que são contadas e representadas através de músicas, acompanhadas por expressões, gestos. Nós não seguimos apenas o ritmo, mas a melodia, os intervalos, o tom da música”, explica. Além da expressividade corporal, a apresentação conta com a atuação de músicos, que formam belas melodias através da viola, violino, violoncelo, flautas, piano e percussão. “São integrantes da Orquestra Municipal de Botucatu e também professores”, indica Marina.

Em “Apenas Um”, os estudantes encenam, em 40 minutos, gestos e movimentos que tentam levar um pouco da essência brasileira ao público. A apresentação é acompanhada por música erudita brasileira. “O objetivo é representar a alma do brasileiro de forma criativa, dinâmica”, ressalta Marina.  “Apenas Um” tem direção da professora Suzana Murback, da escola Waldorf Aitiara, de Botucatu. A peça tem a tutoria e auxílio da professora Marina.


A Euritmia


Conforme explica Marina, a Euritmia integra o currículo da Pedagogia Waldorf e traz inúmeros benefícios. Essa forma de arte, criada por Rudolf Steiner e sua esposa Marie Steiner-von Sivers, não deve ser confundida com mera forma de dança ou ginástica tradicional. A Euritmia permite trabalhar as relações sociais, segundo expõe a educadora Marina. “Essa arte coloca em evidência as relações, faz uma ligação entre eu e o outro, por isso permite trabalhar este aspecto social”, salienta.


Serviço


Ingressos para o espetáculos custam R$ 10,00. Interessados devem ligar para (14) 8124-6005. A FOB fica na alameda  Octávio Pinheiro Brisola, 9-75.

Em terras germânicas

O grupo de Euritmia das escolas Viver e Aitiara partem, no próximo dia 4 de maio, para apresentações fora do País, na Alemanha. Lá, os estudantes da Pedagogia Waldorf vão participar do Fórum de Euritmia, oportunidade em que vão encenar o espetáculo “Apenas Um”. Além disso, os estudantes vão aproveitar a viagem para realizar uma turnê pela Europa, conhecendo outras escolas que adotam a Pedagogia Waldorf. Dione Jordan, de 17 anos, aluna da Viver, conta o quanto está ansiosa para conhecer outro País. “Vai ser legal o contato que teremos com os estudantes dessas escolas europeias”, diz. Mariana Harue, também com 17 anos, concorda.  “Na Europa, o sistema Waldorf é bastante conhecido, diferente daqui do Brasil. Por isso, vai ser muito importante conhecer outras escolas e estudantes de outros países, vai ser uma troca bastante significativa, uma integração.” Em julho, o grupo também participa do congresso de 100 anos da Euritmia, em São Paulo.