08 de julho de 2026
Geral

Finalmente, chega o grande dia!

Ana Paula Pessoto com Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 4 min

Neide Carlos

O sonho do “sim” com direito a vestido de noiva, terno alinhado e noite de gala chegou, ontem, para os 30 casais (veja as fotos na página 5) que participaram do primeiro casamento comunitário de Bauru organizado em parceria entre iniciativa privada e poder público.

A festa realizada no Buffet Roccaporena foi organizada pela Prefeitura Municipal, através da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) e Fundo Social de Solidariedade, com a ajuda de vários parceiros.

O empresário e vereador Fernando Mantovani, idealizador do evento, antecipa que a ideia é anexar os casamentos comunitários ao calendário de festividades do município. “Pretendemos realizar ano que vem, quem sabe até com quem tentou neste ano e acabam de fora (o critério para a lista dos 30 casais era a renda máxima de dois salários mínimos)”, vislumbra. “Importante é que conseguimos receber os 30 casais. O nervosismo é igual ao dos noivos”, confessa ele. “É o primeiro de muitos”, anuncia Darlene Martin Têndolo, titular da Sebes.

Se entre os organizadores o frio na barriga era grande, imagine para quem ia encarar o altar ecumênico. Ridinei Lima Lisboa, 37 anos, é pedreiro. Ele oficializou a união com a namorada Silvania, que há duas décadas o acompanha, literalmente, na alegria e na tristeza. “Livrei-me da bebida e das drogas. Tive uma página em branco na minha vida e, a partir de agora, escrevo uma nova. A caneta está na mão”, emociona-se.

Emoção em dobro para a família, pois a sogra de Ridinei, Silvia Izidoro, também estava de véu e grinalda e dividiu com a filha, Silvania, o sonho do sim. “É uma emoção dupla”, comemora a “noiva/sogra”.

A alegria dividia o espaço com o nervosismo, principalmente entre a turma de terno. Independentemente da idade, eles tinham em comum as mãos geladas. “Dá nervoso. Até porque hoje realizo um sonho de 49 anos”, festeja Olair Vicente de Matos, 62 anos,  que há quase cinco décadas esperava o “sim” oficial da companheira Edna, 77. “Estamos casados, graças a Deus”, festeja ela.

Mas a festa começou bem antes da chegada ao buffet. Ao menos para as mulheres, que se divertiram e também se emocionaram com o ‘dia de noiva’ proporcionado pelo salão Célia Noivas.

Penteados, maquiagem, vestidos e muitos flashes


Um verdadeiro making off. Assim foi a tarde das 30 noivas que se casaram na noite de ontem. A reportagem do Jornal da Cidade as acompanhou desde os primeiros preparativos até a hora de colocar o tão sonhado vestido de noiva.

Flashes por todos os lados. Já o silêncio... Esse não habitou o salão. Imagine 30 noivas se arrumando no mesmo ambiente? Entre dicas e palpites sobre qual brinco colocar, qual sapato escolher e o que usar ou não nos cabelos, as histórias reinaram.

E que histórias. A de Elsa Sanches Esteves, por exemplo, é uma das mais emocionantes. Com lágrimas nos olhos e um belo penteado, enquanto esperava a sua vez de se vestir ela lembrou que o casamento era a realização de um sonho dela e de sua falecida mãe. “Minha mãe sempre quis me ver casada, mas eu adiei esse sonho para cuidar dela”, conta.

Uma história de dedicação e amor. De dedicação à mãe e de amor por “seo” José Francisco Esteves, que esperou 22 anos para morar junto com sua amada: “Estamos juntos há 30 anos, mas moramos juntos há apenas oito anos porque optei por cuidar de minha mãe. Mas ele me esperou. Por isso este dia é tão importante para mim”, emociona-se.

Penteados e maquiagem para todos os gostos, uma a uma elas iam ficando prontas e vestidas como princesas. E teve até noiva ‘importada’. Há apenas três anos em Bauru, Maria Sandra Correa da Silva nasceu em Maceió, Alagoas, cidade onde o marido, João Gomes da Silva Filho, a encontrou. Sobre a produção:


Família unida


Algumas das noivas estavam literalmente em casa. Isso porque algumas delas se casaram ao lado da mãe e de outras parentes. Foi o caso de Marta Graziela Bento Godoy, que se casou ao lado da mãe, Aparecida Bento Rocha, e da tia Fernanda Cristina Rocha.

“Minha mãe teve a ideia e todas ficamos empolgadas. A timidez fica menor quando estamos uma ao lado da outra”, acredita Marta, que não abriu mão dos sapatos brilhantes, como os da Cinderela, para o dia especial.

Entre alegria, risos e vozes ansiosas, a recém-nascida Júlia Vitória acompanhou a mãe Patrícia Dayane Biancon em seu dia de noiva. Amamentando a filha de apenas 13 dias de vida, a mãe uniu a emoção da maternidade com o sonho de se casar vestida de noiva. “A expectativa é tanta que até parece que estou anestesiada”.

Simpatia

Entre os muitos relatos, impossível não ouvir histórias sobre as tradições do dia da noiva. Teve até quem jurou ter recebido mais de 30 mensagens para não esquecer de colocar o nome da cunhada na barra do vestido. Segundo a cultura popular, isso atrai sorte para a solteira que quer se casar.

E depois de prontas, semblantes tensos, alegres, ansiosos, chorosos, esperançosos, realizados... felicidade foi o que se viu no rosto de cada uma das noivas. Agora, elas têm uma história de “sonho real” para contar.