Brasília - O Palácio do Planalto confirmou oficialmente ontem a indicação do deputado Brizola Neto (PDT-RJ) para comandar o Ministério do Trabalho. Ele deve tomar posse na quinta-feira, dando fim a um impasse que já durava cinco meses. A pasta era comandada interinamente por Paulo Roberto Santos Pinto desde dezembro do ano passado, quando o ex-ministro Carlos Lupi deixou o cargo em meio a denúncias de irregularidades.
O convite a Brizola Neto foi feito pessoalmente ontem pela presidente Dilma Rousseff. O deputado e a presidente se reuniram por mais de meia hora. Ele foi recebido no Planalto logo após reunião da presidente com o próprio Lupi, que é presidente do PDT, e o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência).
Apesar de contar com apoio das centrais sindicais, a indicação de Brizola Neto para o cargo ainda enfrentava resistências internas. Questionado sobre a escolha do colega, o líder do PDT na Câmara, Andre Figueiredo (CE), evitou comentar. “É uma escolha pessoal da presidente.” Além de Brizola Neto, o PDT apresentou os nomes do deputado Vieira da Cunha (PDT-RS) e do secretário-geral do partido, Manoel Dias. O partido controla o ministério desde o governo Lula.
Em nota, a presidente disse que Brizola Neto “prestará grande contribuição ao país” e destacou sua trajetória política como ex-secretário de Trabalho e Renda do Rio de Janeiro, ex-vereador e deputado federal.
1º de Maio
A escolha ocorre um dia antes das comemorações do Dia do Trabalho e após Dilma se encontrar com Lula na semana passada em Brasília.
A presidente não deve participar das comemorações do Primeiro de Maio em São Paulo, onde as centrais sindicais realizam grandes eventos.
Ministro mais jovem
Aos 33 anos, Brizola Neto é o mais jovem ministro do governo da presidenta Dilma Rousseff. Neto do ex-governador Leonel Brizola (morto em 2004), Carlos Daudt Brizola nasceu em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e está no seu segundo mandato como deputado federal pelo Rio de Janeiro.
“O nome que carrego é uma bandeira. É um símbolo para milhões de pessoas que sonham com um Brasil diferente, com um Brasil com justiça, com trabalho, com progresso para nosso povo. Defender este país é ser nacionalista; defender este povo é ser trabalhista. E lutar por isso a vida inteira, sem jamais esmorecer, é ser Brizola”, define o parlamentar em uma autobiografia publicada em seu blog.
Mesmo sem vencer as últimas eleições parlamentares, em 2010, Brizola Neto voltou à Câmara dos Deputados como suplente do deputado Sergio Zveiter (PSD).
O novo ministro do Trabalho tem como primeiro desafio unificar o partido ainda resistente com a escolha de seu nome para a pasta. Assim que teve o seu nome confirmado, Brizola Neto começou a conversar com os parlamentares de seu partido em busca de unidade. Uma reunião com a bancada deverá acontecer na próxima semana, depois da posse formal na pasta, marcada para quinta-feira.
“O fundamental é a unidade do partido e acabar com qualquer tipo de insatisfação”, disse Brizola Neto.