07 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Cotas e hipocrisia


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As cotas raciais são apenas migalhas sociais para reparar os 350 anos de escravidão da raça negra no Brasil. O correto seria indenização, tal como foi feito para muitos que pertenciam a grupos de esquerda na Nação na década de 60 e 70 e que queriam trocar a ditadura brasileira de direita, que durou um pouco mais de 20 anos, por uma ditadura comunista.

Cotas, no Brasil, até há pouco tempo existiam para os filhos de grandes agricultores e latifundiários cursarem agronomia e veterinária nas universidades públicas, pagas por todos os brasileiros, ricos ou pobres. Cotas também existem em mais de 30 artigos da Constituição através do Quinto Constitucional para garantir vagas para advogados da OAB ingressarem no serviço público. E também para os partidos políticos que são obrigados a colocarem de 20% a 30% de mulheres em seus quadros para poderem disputar as eleições.

Causa estranheza essa polêmica justamente na hora de oficializar as políticas afirmativas para negros, índios, deficientes físicos e pobres no Brasil que já ocorre há 8 anos através do Prouni e que ao contrário do que muitos pregavam não causaram racialismo e ódio nenhum, pelo contrário a convivência é harmônica e pacífica. Quando os afrodescendentes eram pedreiros, jardineiros, bedéis, seguranças e faxineiros dentro das faculdades e universidades a "ordem social" estava mantida e ninguém questionava o Princípio da Isonomia ou da igualdade. Por que só agora?

E quanto ao fato de alguns setores perguntarem como fazer para saber quem é negro no Brasil, é só perguntar para alguns policiais militares e civis, para porteiros de condomínios, para seguranças de lojas ou para muitos empregadores que eles não possuem dúvida nenhuma.


Pedro Valentim