10 de julho de 2026
Nacional

Palácio do Planalto nega estar em "guerra" contra o setor financeiro

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Apesar das cobranças públicas do governo federal para que os bancos privados reduzam os juros cobrados ao consumidor, o secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, descartou que esteja sendo travada uma “guerra” com o sistema financeiro privado.

 

“Há o empenho e a determinação da presidente [Dilma Rousseff] em reduzir o custo do financiamento da produção no Brasil. Isso é real. Mas não se trata de guerra contra ninguém”, disse. Carvalho afirmou que o governo busca, com a estratégia, impulsionar o crescimento via crédito.

 

“Se trata de uma indução para que a economia cresça, que o crédito seja barato e que o país continue a rodar nesta mesma intensidade [de crescimento].”

 

Em pronunciamento em rádio e TV por ocasião do 1º de Maio, a presidente criticou os bancos privados. Dilma usou a expressão “lógica perversa” para falar dos juros cobrados ao consumidor.

 

Carvalho esclareceu que, nesta crítica, a presidente se referia ao spread bancário - diferença entre o custo de captação de recursos pelos bancos e o valor cobrado para emprestar ao consumidor.

 

Segundo dados do Banco Central, em março, o spread (ou diferença) chegou a 176 pontos percentuais nos juros cobrados no cheque especial. Em média, os bancos captaram recursos com taxa de juros próxima a 9% ao ano e emprestaram a 185% ao ano.

 

O intuito do governo, afirma Carvalho, é “convencer o sistema financeiro de que cada um tem que dar a sua cota para que o Brasil sobreviva num momento de crise”.

 

A participação do setor bancário privado, portanto, seria um corte mais agressivo dos juros, os quais são “os mais altos do mundo”, frisou Carvalho. Mas o secretário-geral da Presidência preferiu evitar ataques diretos.

 

“Não tem guerra. Tem é um convencimento, a partir do exemplo dos bancos estatais, para que o juro caia em todo o mercado”, afirmou.

 

A crítica de Dilma Rousseff ao sistema financeiro privado ganhou respaldo e elogios de sindicalistas. O presidente da Força Sindical, deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), discursou em apoio à presidente.

 

“Estamos de acordo com a presidente na questão de enfrentar os juros”, disse a jornalistas. “A presidente vai enquadrar a equipe econômica pra enquadrar banqueiro”.