Paris - O presidente francês, Nicolas Sarkozy, e seu rival socialista François Hollande duelaram ontem no único debate televisivo prévio ao segundo turno da eleição presidencial, que era visto como a última chance para que Sarkozy revertesse o prognóstico de derrota no próximo domingo.
Hollande, que tem uma vantagem de 6 a 10 pontos percentuais nas pesquisas, começou o debate num tom confiante e relaxado, prometendo ser “o presidente da justiça”, “o presidente da retomada” e “o presidente da unidade”.
Ele disse que Sarkozy divide o povo francês e usa a crise econômica global como desculpa para ter descumprido as promessas que levaram à sua primeira eleição, cinco anos atrás. “Com o senhor é muito simples: nunca é sua culpa”, disse ele.
O presidente conservador acusou repetidamente o seu adversário de mentir sobre cifras econômicas, e recitou inúmeras estatísticas para tentar desequilibrar o socialista.
“É muito legal falar em unir as pessoas, mas isso precisa ser posto em prática”, disse o presidente. “O exemplo que eu quero seguir é o da Alemanha, e não da Espanha e Grécia”, acrescentou, citando dois países em grave crise econômica na zona do euro.
O duelo foi transmitido ao vivo por canais que atingem praticamente metade dos 44,5 milhões de eleitores.
O debate culminou vários meses de ataques mútuos, nos quais Sarkozy chamava o socialista de incompetente e mentiroso, e Hollande acusava o rival de ser um “presidente fracassado”.
Sarkozy vinha apostando todas as suas fichas nesse evento para virar o favoritismo a seu favor. “Não é uma disputa de palavras, é uma hora da verdade”, disse ele nesta semana a jornalistas.