08 de julho de 2026
Internacional

Ativista cego deixa a embaixada dos EUA

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Pequim - Alegando que o governo chinês ameaçou espancar sua mulher “até a morte”, o dissidente cego Chen Guangcheng deixou ontem a embaixada americana em Pequim após seis dias refugiado, e se internou num hospital da cidade, onde reencontrou a família.

 

As circunstâncias da saída dele são confusas, porém. A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que visita Pequim, disse que os EUA ajudaram Chen em seus “entendimentos” com o governo chinês.

 

Mas em entrevista por telefone à Associated Press, do hospital, o dissidente afirmou que foi coagido a deixar a representação e quer se exilar no exterior por temer pela sua segurança. 

 

Ele estaria recebendo atenção médica por causa de ferimentos da fuga, quando caminhou por quase um dia.

 

Em entrevista à CNN, Chen disse ter pedido ao presidente Barack Obama para deixar o país “o quanto antes”. O episódio pode resultar em um incidente diplomático entre as duas maiores economias do mundo. 

 

Pequim acusou os EUA de “interferência em assuntos domésticos” e quer uma retratação pelo abrigo concedido. “A China exige que os EUA peçam desculpas por isso, investiguem exaustivamente esse incidente, punam os responsáveis e deem garantias de que incidentes desse tipo não voltarão a ocorrer”, disse o porta-voz da chancelaria, Liu Weimin.

 

O dissidente, que chegou ao hospital Chaoyang acompanhado do embaixador americano, Gary Locke, disse que só saiu da representação diplomática porque os negociadores dos EUA repassaram uma ameaça do governo de que sua mulher seria morta caso não deixasse o refúgio.

 

Na versão dos EUA, um diplomata disse ao ativista que sua mulher, Yuan Weijing, havia sido trazida a Pequim, mas que o governo a devolveria à sua cidade natal, na Província de Shandong, caso ele continuasse na embaixada.

 

Chen, 40 anos, diz que o casal era rotineiramente espancado desde que ele foi detido pela primeira vez, em 2005. Ele irritou o governo ao defender mulheres forçadas a abortar devido à “política do filho único”. A família ficou em prisão domiciliar por 19 meses, até a fuga espetacular do ativista, há 11 dias. 

 

Segundo os EUA, Chen deixou a embaixada após um acordo com a China que assegurava sua segurança e previa a investigação de maus-tratos. Advogado autodidata, ele iria estudar direito numa universidade em Tianjin, distante de sua província natal.

 

Logo ao deixar a embaixada, Chen conversou por telefone com Hillary, que começou ontem uma visita de três dias a Pequim, agendada antes do início do imbróglio.

 

Hillary disse mais tarde que estava “satisfeita” de facilitar a permanência de Chen na embaixada e a “sua saída de uma forma que reflete as suas escolhas e os valores” dos EUA. Ela prometeu que Washington “continuará engajado com Chen e sua família nos dias, nas semanas e nos anos adiante”.

 

Bob Fu, presidente da ChinaAid, com sede no Texas, disse temer que a saída de Chen tenha sido “involuntária”.