09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

18 anos sem Ayrton Senna


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Onde você estava no dia 1º de maio de 1994? Nossa! Já fazem 18 anos! É claro que por mais que eu escreva, nunca poderei expressar de fato o sentimento que conheci naquele triste domingo. Era feriado - Dia do Trabalho, eu com os meus seis anos de idade, uma criança que acordava cedo aos domingos para ver seu ídolo. Eu com minhas lembranças de infância vendo o Brasil vencer, a bandeira verde-amarela no topo. Para mim, aquilo era imaginar que eu morava em um país lindo, um país vencedor e que era um orgulho de se viver. Eu, um rascunho, um projetinho de gente, ali, sentado no sofazinho surrado de casa esperando a corrida começar.

Eu vi o acidente, fiquei apreensivo porque imaginei: "Hoje o Ayrton Senna não vai ganhar". Mais não foi só isso. Assistindo a transmissão narrada pelo Galvão Bueno, com as imagens do atendimento, do helicóptero levando-o para o hospital e com a notícia um pouco mais tarde, descobrindo que ele, Ayrton Senna da Silva, estava morto! Morto? Como assim? Eu não sabia o que era isso!

Eu sabia que meu avô materno (Joaquim Freitas) não viveu o suficiente para eu o ter conhecido, mas eu não vivenciei isso na prática, no momento da perda. E foi ali, com seis anos de idade e com toda a minha inocência de criança que descobri o significado da morte, da perda, da dor e da tristeza de perder alguém especial. E quando a gente perde alguém, insistimos em não querer acreditar e a imaginar que isso pode mudar ou ser diferente, mas infelizmente não pode. Lembro-me que naquele dia eu fui ao banheiro chorar, algo que faço até hoje quando estou muito triste, um refúgio. Eu, com os olhos encharcados, falava com Deus, não sei se ele me ouvia, mas eu pedia: "traz ele de volta, traz ele de volta!". Mesmo aquela imagem ter sido marcante para mim, ficado na minha memória durante todos esses anos, lembro-me do herói em ação, das vitórias, dos títulos, do tema da vitória e do "Ayrton, Ayrton, Ayyyyrrtoonn Sennaaa do Brasiiil!" Entre os melhores, o maior! O herói não morreu de verdade, não! Ele apenas se tornou imortal! É isso!

Bruno Freitas - jornalista