Berço de um povo alegre e hospitaleiro, que ama o ritmo dos tambores, que dança na cadência do samba, que acredita em santos e orixás, que gosta de frutos do mar e pimenta, que traz sempre um sorriso estampado no rosto e faz a maior festa de rua do mundo: o Carnaval.
Uma explosão de alegria, de vibração, de cores que arrasta multidões às ruas trajadas com seus abadás. Um momento em que todo mundo pode e deve e é levado a ser feliz - uma sensação que, geralmente, acompanha o turista durante toda sua estada na cidade.
Dizem que o pique dos baianos tem explicação. Vem da soma dos ritmos indígenas do batuque e da ginga africana e do espírito artístico dos portugueses. Misturou-se tudo, resultando nesse caldeirão cultural. Ao lado da alegria, a fé. Logo em janeiro começam as festas religiosas e a lavação das escadarias das igrejas. Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, Igreja do Senhor do Bonfim, Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Itapuã e em Ondina, entre outras tantas.
Depois, em fevereiro, mais exatamente no dia 2, acontece a Festa de Iemanjá que toma a Praia do Rio Vermelho, onde Jorge Amado e Zélia viveram.
As oferendas são guardadas em balaios na Casa de Iemanjá, toda branca e com janelas azuis, para posteriormente acompanharem o presente principal, oferecido pelos pescadores.
No fim da tarde, as oferendas à rainha do mar são jogadas na água por um cortejo com centenas de embarcações. Ritual que não deixa ninguém indiferente.
1.183 quilômetros de praia
Esse Estado que preserva usos e costumes, arte, música e culinária, arquitetura e belezas múltiplas, o antigo e o moderno, a fé e o profano, é um lugar abençoado.
Por santos e pelos orixás, com identidade única e detentor de uma natureza privilegiada.
Afinal é dono do maior litoral do país: 1.183 quilômetros de praias e sol quase o ano inteiro.
E de mais de 500 anos de história, contados desde quando as primeiras naus lusitanas aportaram em sua costa até então somente habitada por diversas tribos indígenas.
O cheiro e o sabor do cacau, do coco e do dendê, a fartura dos rios, do mar e das matas tornou o lugar irresistível para muitos outros navegantes.
Brancos europeus e para os negros africanos conduzidos em navios negreiros e privados de qualquer conforto, trazidos como escravos.
Pelourinho e as baianas
O Pelourinho, na Cidade Alta de Salvador, encanta turistas de todos os lugares. O lugar, que no passado abrigou as colunas onde os escravos africados negros eram castigados, está quase que totalmente restaurado. São mais de 800 casarões dos séculos 17 ao 19, que passaram por trabalho minucioso, preservando suas características arquitetônicas.
Para se chegar a eles, é preciso tomar um táxi ou mesmo o ônibus circular - ou o Elevador Lacerda, outro dos cartões-postais da cidade - caminhar por ruelas e ladeiras, onde a presença de sorridentes baianas com suas saias rodadas impecáveis e as fitinhas multicoloridas dão as boas-vindas. A cada esquina ou a cada parada para um respiro profundo - quem está fora de forma vai reclamar das rampas - surge uma nova batucada, uma roda de capoeira. E bares, lojas e restaurantes. Muitos com música ao vivo à noite para quem quer sentir o clima de Salvador, interagir com o povo e curtir a vida entre acarajés, cerveja gelada e gastronomia típica. Além dos sobrados, o Pelô, como é carinhosamente chamado pelos baianos, conta com 16 igrejas, museus e o belíssimo Convento de São Francisco, reconstruído no século 18, época de abundância de ouro e de predomínio do barroco no País.
Comida e Baía de Todos os Santos
A culinária baiana dispensa apresentações. É saborosa, quente e calórica. Caruru, vatapá, acarajé, moqueca, bobó de camarão e pirão são algumas das delícias encontradas por toda parte.
Nas feiras populares, no Mercado Central, nos restaurantes famosos de Dadá (Aldaci dos Santos) no conjunto arquitetônico do Solar do Unhão, na avenida do Contorno, entre as Cidades Alta e Baixa, bem em frente à Baía de Todos os Santos.
A Baía de Todos os Santos, delimitada em suas extremidades pelo Farol da Barra e pela Ponta do Garcez, além de bela é a maior baía tropical do mundo, com mais de 1.100 km2 de espelho d?água.
A baía abriga 56 ilhas e 13 municípios que formam um perfeito cenário para as atividades eco turísticas, além de servir de palco para diversos eventos náuticos nacionais e internacionais.
Foi descoberta em 1 de novembro de 1501, pelo navegador italiano Américo Vespúcio, durante uma missão de reconhecimento da costa.
O local recebeu o nome em homenagem ao calendário cristão, que já celebrava o Dia de Todos os Santos. A principal ilha da região é Itaparica, a maior do Brasil.