09 de julho de 2026
Política

Rodrigo cria comissão de diagnóstico do DAE

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

 

A crise acumulada na gestão do Departamento de Água e Esgoto (DAE) e a exposição dos gargalos nos diferentes setores do órgão levaram o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) a tentar outra cartada: criar uma comissão de diagnóstico e de monitoramento do atual Conselho Administrativo, presidido por Fábio Lara. 

 

A decisão se baseia nos indicativos de que o atual presidente também não deu demonstrações de mudança de procedimentos internos, derrubada de vícios operacionais e de acomodação ou negligência nos postos chaves do DAE, sobretudo entre os cargos de diretoria e chefia. A comissão deverá orientá-lo nas situações pendentes, diz Rodrigo.

 

“O planejamento de investimento para a recuperação ou reposição da demanda por abastecimento está no caminho certo, até porque eu arrumei recursos para que isso fosse possível. O problema atual de desabastecimento em vários bairros vai ser corrigido com a instalação de seis poços, alguns financiados pela iniciativa privada e outros com o dinheiro que estamos mandando para o DAE. Mas a mudança mais profunda de gestão e nas estruturas não avança e a comissão vai avaliar, apontar e monitorar esse processo”, citou, ontem à noite, o prefeito.

 

Rodrigo é comedido ao comentar que a constituição da comissão tem o inevitável ingrediente de insatisfação também em relação a Lara. “A comissão vai fazer o diagnóstico e propor medidas. É uma busca de ajuste de gestão, para quebrar vícios internos e criar rotinas de ação internas que hoje estão impregnadas. E isso não pode ser feito por gente do DAE, porque continua a contaminar o processo de mudança que não avançou”, pondera o prefeito.

 

Segundo Agostinho, o trabalho da comissão tem de ser objetivo. “Não é para montar um plano no DAE. O que tem de ser feito para a água chegar na casa das pessoas já está posto. A questão é de virar a mesa e mudar rotinas e vícios que não podem mais permanecer. A comissão vai ter o poder de auxiliar na gestão, na tomada de decisão e essa ação é rápida. Acho que é um trabalho para em torno de 60 dias”, finaliza.

 

A crise deflagrada na engrenagem do DAE, com todas as consequências decorrentes do jogo de esconde que existe há anos em alguns setores – financeiro, planejamento, administração, produção e operacional -, não está apenas sobre os ombros de Fábio Lara. O próprio prefeito manteve este processo, desde 1 de janeiro de 2009, sob a tutela política do PR, de Fernando Monti. 

 

No DAE, a água continua vazando muito nas ruas, como há alguns anos, mas o loteamento político da autarquia, aliado à falta de ação política para correções de rumo, fizeram a estrutura esgarçar. Durante a entrevista de ontem à noite, o próprio prefeito indicou que o DAE conseguiu recursos para resolver alguns de seus problemas pontuais, como o abastecimento emergencial nos milhares de endereços em que a torneira seca todo dia, mas não haverá suspiro se não houver um choque de gestão.