09 de julho de 2026
Bairros

Troca de telhas faz mulher perder tudo em noite de chuva

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

 

Além de muita lama as chuvas constantes que assolaram o final do mês de abril trouxeram prejuízos para uma família moradora do Jardim Redentor, em Bauru. Após uma reforma no telhado da casa, a inquilina acabou perdendo todos os móveis danificados com o destelhamento da residência e as fortes chuvas.

 

“Eu achei que a reforma fosse apenas em um cômodo, não achei que fossem destelhar a casa inteira. Se eu soubesse, teria tirado todos os móveis de lá”, afirma a moradora do imóvel situado na quadra 3 da rua São João, Maria Odete Leal, 37 anos.

 

A reforma, segundo ela, teria começado no dia 16 de abril após diversas reclamações feitas por ela à proprietária quanto a goteiras no telhado da casa. A inquilina morava no local desde novembro de 2011 com seus dois filhos de 7 e 13 anos, e foi após uma chuva ocorrida em fevereiro deste ano que a proprietária resolveu solucionar o problema.

 

“Precisei tirar todos os móveis do quarto das crianças, foi um tormento. Depois disso, a proprietária disse que mandaria um pedreiro para resolver. Quando eles viram a situação da casa, começaram a mexer em tudo e destelharam um cômodo”, relata.

 

Por conta das obras, o filho de 13 nos de Odete, que havia passado por uma cirurgia há pouco tempo, começou a apresentar constantes inflamações causadas por uma rinite alérgica. A moradora, então, decidiu deixar a residência no dia 19 de abril para abrigar-se na casa de sua mãe, localizada no Jardim Tangarás. Entretanto, os móveis e eletrodomésticos teriam ficado para trás com a promessa de que uma lona seria colocada pelos pedreiros no telhado. 

 

 

 

Desespero

 

Ao retornar à casa, na tarde do dia 21, para buscar mais roupas para seus filhos, a mulher conta ter ficado desesperada ao ver a situação.

 

“Quando eu entrei, a casa estava destelhada, cheia de lama e água. Os armários, o sofá, meus móveis do salão de beleza, as camas, os colchões, eletrodomésticos, acabei perdendo quase tudo. Na parte onde a casa tinha laje estava tudo trincado e no salão só restavam as paredes”, ressalta a inquilina, que além de trabalhar como faxineira, também atuaria como cabeleireira nas horas vagas.

 

Após o ocorrido, Odete afirma ter feito contato com a dona da casa e com a imobiliária para conversar a respeito dos prejuízos e alegou que a proprietária, apesar de ter sensibilizado com a situação, assim como a imobiliária não teria ajudo a arcar com os custos do prejuízo. “Tive que faltar no trabalho, meus filhos faltaram nas aulas. Estamos morando de favor com a minha mãe. Aluguei um imóvel para ficar tranquila, mas acabou se tornando um pesadelo”, lamenta a mulher. 

 

 

 

De R$ 10 mil a R$ R$ 12 mil

 

Orientada pelo Juizado de Pequenas Causas, Maria Odete Leal afirma ter enviado uma carta para a proprietária da residência e a imobiliária responsável, com um valor mínimo estipulado em relação aos prejuízos que, segundo a inquilina, totalizaram entre R$ 10 mil e R$ 12 mil.

 

Conforme Odete explicou, a carta teria um prazo máximo de cinco dias para ser respondida, caso contrário, a inquilina, que alegou inclusive, ter o aluguel do mês de abril cobrado, pretende entrar com uma ação judicial para tentar recuperar ao menos parte dos prejuízos.

 

A reportagem entrou em contato com a imobiliária responsável pelo imóvel, que alegou que a empresa cuidaria apenas da administração e recebimento do aluguel da casa, realizando uma espécie de intermediação entre a proprietária e a inquilina - que segundo a empresa, seriam as responsáveis pelas obras. A imobiliária também informou ter feito contato com a proprietária da casa, que preferiu não se manifestar publicamente sobre o caso.