Entre os muitos vazamentos espalhados pela cidade, dois em especial têm incomodado a população por estarem há muito tempo com água jorrando sem as autoridades tomarem as providências. Se o Departamento de Água e Esgoto (DAE) não retomar o esquema de mutirão, o trabalho de estancar parte dos vazamentos será perdido.
No início do ano, quando a autarquia anunciou a força-tarefa diante do grande número de casos desta natureza, a pretensão era eliminar 130 vazamentos em um final de semana, baixando de 485 para 350 pontos de água potável “brotando” nas ruas. A chuva dos últimos dias e a precariedade das redes de esgoto, conforme já divulgado pelo JC, devem ampliar os vazamentos de esgoto também.
Na Vila São Paulo, na quadra 1 da rua Luiz Oliveira Neto, os moradores contaram, na última quarta-feira, que há mais de 21 dias existe um vazamento onde jorra água tratada o tempo todo. A narrativa da população é a mesma de sempre: liga-se para o 0800 do DAE, mas o conserto não é feito. A reportagem esteve no local nesta semana e constatou o problema, que ocorre em uma via de terra.
Casca de ovo
Na região central da cidade, entre duas das principais avenidas de Bauru, a infiltração de água no subsolo deixou a pavimentação asfáltica fina. “Como casca de ovo”, cita um morador.
O vazamento fica praticamente na porta de uma escola particular, na rua Engenheiro Saint Martin. O trecho é acesso para quem sai da avenida Nações Unidas para adentrar à avenida Rodrigues Alves, sentido avenida Pedro de Toledo, ou na direção oposta, para o Distrito Industrial I.
Obras
A informação obtida pelo JC junto à Divisão Técnica do DAE é de que o vazamento na rua Saint Martin foi consertado nesta quinta-feira. Quanto à água que jorrava na Luiz Oliveira Neto há mais de 21 dias, o reparo também foi, enfim, efetuado anteontem. Também foi consertado um vazamento na quadra 4 da rua Carlos de Campos, que jorrou água durante quatro meses.
O que preocupa é que as narrativas dos moradores dão conta de que já foram feitas diversas solicitações de reparo à autarquia. No entanto, a ordem de serviço para o conserto não teria chegado para o pessoal da Divisão Técnica.
Outro ponto informado ao JC sobre vazamento de água e que o DAE promete providências é o bebedouro instalado pelo próprio órgão nas imediações da Universidade Sagrado Coração (USC). Uma estudante contou à reportagem que, há três meses, vaza água no local.
Esgoto
Certamente, dejetos de esgoto não combinam com uma empresa que reserva e distribui alimentos perecíveis em Bauru e região. Por anos, a esquina das ruas Mauro de Almeida Rocha com Waldir José da Cunha convive com esgoto jorrando no passeio público. O DAE conserta e, dias depois, estoura tudo novamente e fica o mau cheiro no encontro das ruas de terra.
O ponto crônico de rompimento da tubulação é na rua Waldir José da Cunha. O esgoto escorre até a via transversal, rua Mauro de Almeida Rocha, que é paralela à rodovia Elias Miguel Maluf.
AHB divulga nota sobre caso Famesp x Maternidade
Diante das notícias veiculadas na imprensa sobre a indefinição da encampação da Maternidade Santa Isabel pela Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), o Conselho de Intervenção da Associação Hospitalar de Bauru (AHB) divulgou nota em que frisa nunca ter colocado empecilhos para que isso ocorresse.
Segundo a nota, “desde o início da definição da Secretaria de Estado da Saúde pela transferência da Maternidade para a Famesp, o Conselho de Intervenção da AHB envidou todos os esforços no sentido de colaborar e facilitar ao máximo no processo de transição, participando ativamente de todas as reuniões junto ao Ilmo. Sr. Secretário da Saúde, tanto o atual quanto ao seu antecessor, Ilmo. Sr. Chefe de Gabinete do Secretário da Saúde, à Diretoria e Jurídico da Famesp e Sindicato da Categoria, bem como nas audiências junto ao Ministério Público do Trabalho e Ministério Público das Fundações, sendo certo que em momento algum impediu direta ou indiretamente a assunção da Famesp no dia 01/05 na Maternidade”, cita a nota oficial, enviada pela assessoria de imprensa da associação.
Quanto aos equipamentos médico-hospitalares e mobiliários pertencentes à Associação Hospitalar de Bauru, “permanecem na Maternidade até definição da forma que será feita a cessão (comodato ou de forma onerosa), conforme ofício encaminhado ao Ministério Público das Fundações para que fosse a questão submetida ao crivo do juiz onde tramita a ação de intervenção”, continua.
“Desta forma, o Conselho de Intervenção da AHB repudia de forma veemente toda e qualquer informação veiculada sobre a possível atuação deste Conselho impedindo o acesso da Famesp em assumir a Maternidade. Esclarece ainda que a questão trabalhista está sendo discutida judicialmente em ação proposta pelo Ministério Público do Trabalho, sendo certo que este Conselho acatará de imediato a decisão que ali vier a ser prolatada”.
E encerra: “Por fim, o Conselho de Intervenção esclarece que a eficácia da decisão quanto à responsabilidade dos direitos trabalhistas está diretamente vinculada a disponibilização de verbas adicionais pelo Estado, tal qual ocorreu no caso da transição do Hospital Manoel de Abreu gerido anteriormente pela AHB com a assunção da gestão pela também Famesp no ano de 2008.”
A nota enviada pelo Conselho de Intervenção da AHB foi provocada pelo boletim de ocorrência de preservação de direito registrado no dia 1 deste mês pelo vice-presidente da Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), Antônio Rugolo Júnior. Na ocasião, ele procurou o plantão policial porque transferência da gestão da maternidade Santa Isabel da AHB para a fundação não havia sido consumada por conta do imbróglio envolvendo a responsabilidade pelo pagamento das verbas rescisórias de aproximadamente 160 antigos funcionários ligados à associação.
Como não foram aprovados no concurso da Famesp, nem demitidos pela AHB, compareceram para trabalhar normalmente. A fundação, no entanto, só assumirá a nova gestão quando contar apenas com os próprios funcionários. Ocorre que o procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT) Luís Henrique Rafael ajuizou uma ação cautelar com pedido de liminar requerendo que a Famesp seja impedida de barrar a entrada na maternidade dos funcionários que não foram aprovados no processo seletivo.
Para resolver o impasse, haverá uma audiência convocada pela Justiça, na próxima terça-feira, data limite para a troca de gestão. A expectativa é que, no próprio dia 8, o futuro da maternidade seja definido. A Famesp, no entanto, talvez não assuma imediatamente. Diante de todo o histórico, Rúgolo demonstrou surpresa com a nota do Conselho de Intervenção pois diz nem tê-lo citado no boletim de ocorrência.