09 de julho de 2026
Polícia

Discussão em família termina em morte

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

 

Um desentendimento entre família na manhã de ontem resultou em tragédia no Parque Santa Edwirges, em Bauru. Um rapaz de 19 anos, que estava doente, discutiu com a avó após ela pedir para que ele se agasalhasse melhor e foi contido com uma vassourada pela tia, que acabou atingindo a nuca do jovem João Paulo de Alcântara. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamado, mas ele morreu no local. Este é o 12ª caso de homicídio registrado na cidade neste ano.

 

No local, a Polícia Militar (PM) deu voz de prisão em flagrante à tia do rapaz, E.R.A., 30 anos. Levada ao Plantão da Polícia Civil posteriormente, a prisão foi ratificada pela delegada Luciana Claro Rodrigues. O caso foi registrado como homicídio simples consumado, e a acusada foi levada à Cadeia de Avaí. 

 

De acordo com informações da Polícia Militar, era por volta das 9h de ontem quando avó, tia e sobrinho, moradores de uma casa localizada na quadra 2 da Alameda Saturno, iniciaram uma discussão. Segundo os depoimentos prestados no local, João Paulo teria se irritado com o fato da avó, G.R.A., de 72 anos, ter chamado sua atenção quanto à roupa que ele vestia e “partiu para cima” da idosa. 

 

“A avó nos disse que ele gostava de sair e, mesmo com o tempo frio, estava saindo só de shorts e camiseta. Como ele tinha a saúde debilitada, ela disse ter ficado com medo dele ficar doente e eles começaram a discutir. Foi uma fatalidade”, ressalta o comandante da 1ª Cia. da PM de Bauru, capitão Paulo César Valentim.

 

 

 

Vassourada na nuca

 

Conforme relatado no local e registrado no boletim de ocorrência (BO), ao presenciar a discussão, a tia do rapaz tentou intervir para proteger a idosa. Também consta no BO, segundo relato da tia que, ao intervir, João Paulo teria tentado agredi-la. Para se defender, a mulher acabou desferindo um golpe de vassoura na nuca de seu sobrinho, que morreu no quintal da casa minutos após desmaiar. 

 

À polícia, a tia alegou que agiu na intenção de proteger a idosa, que teria passado por uma cirurgia cardíaca há apenas oito dias e não poderia ficar nervosa.

 

O médico do Samu Carlos Augusto Cameschi, que esteve na casa junto com outros integrantes da equipe médica, foi quem atestou a morte do rapaz, possível vítima de traumatismo craniano.

 

“O local onde as duas lesões aconteceram estava sangrando bastante. Pelo que pudemos observar, infelizmente, os golpes atingiram regiões fatais”, afirma o médico. Na manhã de ontem, o corpo de João Paulo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), onde seriam avaliadas as reais causas da morte.

 

O rapaz não estava armado e, segundo a PM, também não possuía antecedentes criminais. A Polícia Científica foi acionada ao local. Ao saírem da casa, um policial carregava a suposta vassoura de madeira que a tia teria usado para agredir o rapaz. Informações sobre velório e enterro não foram divulgadas à reportagem.

 

 

 

‘Eles eram tranquilos’, diz vizinho da vítima

 

João Paulo de Alcântara foi descrito pela família à polícia como uma pessoa tranquila. Nos depoimentos que prestaram no local dos fatos, a avó e a tia do jovem teriam afirmado que ele não era um sujeito agressivo e também não fazia uso de entorpecentes.

 

Ainda de acordo com vizinhos, João Paulo teria sido criado por sua avó depois da morte de sua mãe e seu pai, há alguns anos.

 

Morador do bairro há mais de 40 anos e vizinho da família, o pedreiro Edvaldo Miguel Monteiro, 64 anos, conta que estava desentupindo uma valeta na rua onde a tragédia ocorreu quando foi chamado pela tia do jovem para ajudar a socorrê-lo.

 

“Ela me chamou desesperada dizendo que tinha batido nele sem querer. Quando cheguei lá, ele estava desmaiado e sangrando. Logo depois chegou o Samu”, relata o morador.

 

Segundo Edvaldo, a família seria tranquila e ele desconhece qualquer tipo de briga na casa. “Eles eram tranquilos. A avó não gostava muito que ele saísse por causa da saúde (debilitada), mas eles não são agressivos. Algumas vezes eles discutiam como qualquer família normal”, reforça Monteiro.

 

Outra vizinha da residência da vítima, a aposentada Adelaide Urias, 69 anos, também descreveu a família como tranquila. Segundo Adelaide, a tia de João Paulo seria uma pessoa calma e teria deixado o emprego em um mercado, há algum tempo, para cuidar da saúde de sua mãe. 

 

 

 

Estatística da violência

 

A morte de João Paulo de Alcântara, ocorrida na manhã der ontem, entrou para as estatísticas como o 12º homicídio no município, segundo levantamento feito pelo Jornal da Cidade. 

 

Somente nesta semana, este foi o segundo caso. O primeiro foi registrado no dia 30 de abril, quando Vitória Graziela Fernandes, de apenas 6 anos, foi sequestrada e morta pelo ex-namorado de sua mãe.