Um aparelho celular que custou cerca de R$ 500,00. Foi este o presente que o porteiro João Batista Bastos Filho, 60 anos, ganhou no Dia dos Pais. Porém, ele não ficou muito com o telefone. Abordado por uma dupla encapuzada e armada na Vila Pacífico, o porteiro foi ameaçado e teve que entregar o aparelho. Ele foi apenas uma das várias vítimas diárias de roubos e furtos de celulares em Bauru. O crime é tão frequente que já há até seguro para os equipamentos.
O subcomandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), major Flávio Jun Kitazume, confirma que os celulares são “alvos do tráfico”. De acordo com ele, os usuários de drogas furtam ou roubam os equipamentos e usam como “moeda de troca” (leia mais abaixo) para adquirir drogas, principalmente o crack.
A partir daí, a matemática é simples. Aumenta o número de usuários, aumentam os roubos e furtos dos celulares e aumenta a insegurança. É neste ponto que entram as seguradoras.
Lucas Leme, que é gerente de negócios de uma corretora de seguros em Bauru, confirma que a procura por apólices para celulares aumentou bastante. “Antes, eram seguros empresariais. Ou seja, empresas que faziam para vários aparelhos. Mas, agora, já temos pessoas físicas. E o número de segurados vem aumentando de forma notória”.
A cobertura é basicamente para dois tipos de sinistros: furtos qualificados e roubos. A primeira ocasião é quando o objeto é subtraído com destruição de algum obstáculo, como um arrombamento, por exemplo. Já o roubo é quando o celular é levado após a vítima ser ameaçada.
“Não fazemos apólices que cobrem furtos simples, ou seja, a pessoa esquece o objeto em algum lugar e ele desaparece. O mesmo vale para perdas. Outro ponto que não cobrimos é quando a pessoa deixa o celular no interior de veículos (algo que varia de acordo com a seguradora)”, explica Leme.
O corretor de seguros Primo Mangialardo também confirma que a procura de pessoas físicas pelo serviço aumentou. Além do número de furtos e roubos, ele atribui o crescimento da demanda à própria evolução dos celulares. “Hoje, os smartphones substituem até mesmo os notebooks. E esses aparelhos possuem um valor alto”, aponta.
Segundo Mangialardo, uma das vantagens do serviço é que ele possui ampla cobertura territorial. “O seguro cobre o mundo todo. É algo bom para quem viaja, pois, se ocorre um problema em outro país, por exemplo, está dentro da apólice”, completa.
Valores
Os valores das apólices variam bastante de acordo com o serviço que é ofertado e, principalmente, pelo modelo do celular. De acordo com Mangialardo, um aparelho de R$ 800,00 pode ser segurado por um valor médio de até R$ 270,00.
Lucas Leme explica que a média de uma apólice é de 12% do valor do aparelho. Ele, entretanto, faz ressalva importante em relação ao valor da indenização. “Quando ocorre algo, o valor da indenização é o valor atual do bem. E os celulares têm uma depreciação muito grande de preço. O que o seguro paga quando ocorre o sinistro é quanto ele vale no momento e não por quanto foi comprado”, completa.
O seguro não se limita somente em aparelhos celulares, incluindo todos os outros equipamentos portáteis, como notebooks e tablets. Além do serviço das seguradoras, existe também o contratado diretamente com as operadoras. O custo geralmente é mensal e varia de acordo com o limite da indenização. Para qualquer tipo de seguro é necessário que o equipamento tenha nota fiscal.
Três pedras de crack que valem R$ 800
O “corre” do comércio de drogas envolvendo celulares é dividido em passos: o usuário rouba ou furta um celular, troca o aparelho pelo entorpecente e o equipamento é, pelo traficante, levado aos locais de receptação. Mas quanto vale um celular nos pontos de tráfico, as conhecidas “biqueiras”? De acordo com a Polícia Militar (PM), este preço é “decidido” segundo o grau do vício do usuário.
“Um celular de R$ 800,00, por exemplo, é trocado por três pedras de crack. Pode parecer impressionante, mas é verdade. Dependendo do grau do viciado, os traficantes dão o valor que querem”, conta o major Flávio Jun Kitazume.
Antes de contratar
Os usuários devem ficar atentos a alguns pontos antes de contratar o seguro de celular. O primeiro é ver se o preço do aparelho compensa o valor a ser pago no seguro. O segundo é verificar o que a apólice cobre, uma vez que, cada seguradora tem sua particularidade.
Estas especificidades também variam de acordo com qual aparelho pode ou não ser segurado. Algumas seguradoras aceitam somente celulares novos, por exemplo. Por fim, o usuário deve verificar a franquia. Em qualquer sinistro, é valor que vai ter que ser desembolsado para acionar o seguro. Da mesma forma, o interessado deve analisar este custo – variável de acordo com a empresa – e ver se compensa.
Caiu, quebrou e agora?
Além de furtos qualificados e roubos, a maioria dos seguros ainda cobre “acidentes de causas externas”.
“Qualquer quebra mediante a acidentes também está incluída na apólice. Isto quer dizer que, se o aparelho cair e quebrar, o seguro irá cobrir. O mesmo não ocorre com defeitos técnicos”, explica o corretor de seguros Primo Mangialardo.
Apesar de a maior parte das seguradoras oferecer o serviço, a opção varia de empresa a empresa.
PM faz patrulhamento para evitar roubo e furto
Um mototaxista de 26 anos foi uma das vítimas mais recentes dos ladrões de celulares. Abordado por um trio de bicicleta na quadra 6 da Gustavo Maciel, na madrugada de sexta-feira, ele teve o aparelho e os documentos pessoais levados. Horas depois, a Polícia Militar localizou e prendeu dois suspeitos. O celular, porém, não foi encontrado.
E não é somente prendendo suspeitos que a polícia atua para coibir este tipo de crime. “Intensificamos o patrulhamentos nos locais conhecidos como pontos de receptação. Além disso, estamos localizando profissionais que agem de má-fé. Eles pegam o aparelho produto do crime, desbloqueiam e os recolocam no mercado”, conta o subcomandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), major Flávio Jun Kitazume.
O major ainda dá algumas dicas que a população deve seguir para “atacar” este comércio ilegal, que é exatamente onde desembocam os produtos de roubo e furto. “A primeira dica é sempre comprar produtos com nota fiscal e sem sinais de violação do aparelho. Depois, sempre ter anotado o número de série do celular e, em caso de furto ou roubo, registrar o BO e bloquear o aparelho na operadora”.