No último dia 30 de abril de 2012, foi dito que o fato de ter tantos mototaxistas na cidade clandestinos é por falta de fiscalização, porém, o fato não é falta de fiscalização e sim um total descaso do sindicato, que se pronuncia para perseguir a categoria, não para defendê-la.
Atualmente a categoria se encontra em crescimento e os clandestinos também, porém, na verdade, as leis onde se regulariza os mototaxistas e os motofretes não são leis que favorecem a categoria.
Alguns dos exemplos são que o mototaxista cadastrado, quando for realizar o trabalho de motofrete, tem que ter uma outra licença como motofrete, e isso não é o pior da lei em vigor. Impede que se trabalhe com a mesma moto, ou seja, tem que ter duas licenças e duas motos para estar regularizado, o que difere um do outro não é o veículo, ou seja, a moto e sim o capacete ao passageiro e uma mochila para a encomenda.
Uma outra questão é que a categoria não tem desconto algum na compra de um veículo novo. Mas este não é o pior problema, o fato é que mesmo um motoqueiro cadastrado e com nome limpo junto ao Serasa não consegue financiar uma moto, pois suas fichas não são aprovadas quando dizem que exercem esta profissão.
Atualmente muitos motoqueiros exercem este trabalho para tirar um ganho extra e pelo fato de ter um registro estes conseguem financiar sua moto, ou seja, quem trabalha apenas dentro da categoria compra à vista ou não tem. Pede-se que a categoria use um colete refletivo, tudo bem, o motoqueiro coloca o colete e quando ele coloca uma mochila e carrega um passageiro não tampa o colete?
Em dias de chuva o mototaxista teria que ter uma capa para dar ao passageiro. Bem, imaginem, eu dou uma capa ao primeiro passageiro, ela molha, então eu daria a capa molhada ao segundo... A lei ainda pede que se dê ao passageiro tocas descartáveis para usar com o capacete. Fico imaginando se eu também terei que ficar carregando na moto um saco de lixo pra carregar essas tocas após seu uso.
A maior parte hoje dos motoqueiros não cadastrados trabalha em bases de mototaxi que se encontram espalhadas pela cidade, todos estes mototaxistas pagam para exercer a sua profissão, diárias pagas todas entre R$ 8,00 e R$ 12,00, mesmo, ou seja, fora todos os riscos que a categoria corre ao exercer a sua profissão, como assaltos, acidentes, ela paga pra trabalhar. Hoje, quem usa o serviço de mototáxi muitas vezes já chama os motoqueiros pelos seus nomes e já confia nos donos das bases e principalmente no mototaxista que lhe está prestando serviço, por isso, quando parados por uma fiscalização, dizem que é um amigo e principalmente porque, assim como nossa categoria, não acham certo as normas exigidas para podermos exercer a profissão.
Nossa categoria quer sim se cadastrar, o que não queremos é ser tachados como clandestinos e trabalhar com taxas que não são revistas há mais de 5 anos. Vale lembrar que querem ter uma taxa aos mototaxistas, se cai no esquecimento o motofrete que não tem uma taxa fixada, com isso até mesmo o empregador que contrata o seu trabalho passa por dificuldades, pois seus concorrentes não cobram por esta entrega ou cobram valores simbólicos, ou, ainda pior, cobram pela taxa, porém, não repassam aos motofretes, pois em alguns casos pagam apenas o dia trabalhado, independentemente do trajeto percorrido, ressalto que não são todas, porém, infelizmente, há empresas que trabalham assim.
Se hoje tivéssemos um sindicato e autoridades que realmente gostassem de zelar pelos nossos interesses, os mototaxistas e motofretes que exercem esta profissão há tantos anos ganhariam o que a própria lei chama de direito adquirido, pois pergunto qual é o curso teórico que irá dar a experiência que nossa categoria tem trabalhando não só nas ruas de Bauru mas sim deste país?
O que vejo é uma perseguição não só à categoria, mas também aos motoqueiros, pois a lei fala que se um motoqueiro for visto com sua viseira aberta é o mesmo diante da lei que ele esteja sem capacete, ora, por que a viseira abre? Se esta lei tem realmente sentido, ela não poderia nem sair de fábrica com a opção de abrir.
Agradeço a população que confia em nossa categoria e se ela ainda cresce é porque prestamos com atenção o serviço que a população necessita.
Maykon Rodrigues