Brasília - Cidades amazonenses afetadas pelas cheias dos rios que cortam o Estado tentam reparar os estragos e auxiliar a população enquanto aguardam a ajuda financeira dos governos estadual e federal. Até a última sexta-feira, dia 4, 32 municípios já haviam decretado situação de emergência e a Defesa Civil do Amazonas calculava que já chegava a 74 mil o número de famílias atingidas em todo o Estado. Embora o nível dos rios tenha começado a baixar, no interior ainda há localidades praticamente submersas. A previsão do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Cptec/Inpe), é mais chuva forte para as regiões centro-norte e leste do estado.
Uma destas localidades é Benjamim Constant, na região oeste do estado. De acordo com a Defesa Civil municipal, cerca de 9 mil pessoas foram afetadas pelas águas desde meados de março. Segundo a coordenadora do órgão, Gleissimar Campelo Castelo Branco, embora o nível dos rios Solimões e Javari, que banham a cidade, tenha começado a baixar nos últimos dias, boa parte do município continua alagada e a cidade permanece em situação de emergência.
“Benjamim se transformou em uma Veneza”, disse a coordenadora à Agência Brasil, referindo-se à cidade italiana cortada por canais onde gôndolas servem de meio de transporte. De acordo com Gleissimar, o nível do Rio Solimões chegou a atingir 13,74 metros, apenas 9 centímetros a menos que a marca histórica registrada durante a cheia de 1999. Já o Javari, de acordo com muitos moradores, diz a coordenadora, atingiu o maior nível de todos os tempos.
Algumas comunidades agroextrativistas instaladas em ilhas do Solimões, como a do Aramaça, perderam toda a produção. A prefeitura reforçou a limpeza das ruas e distribuiu alimentos, medicamentos e madeira para que os moradores de áreas alagadas que não corriam riscos elevassem a altura dos assoalhos das casas. “Agora precisamos de maior apoio financeiro do governo estadual para custear as despesas que o município contraiu e com que, sozinho, não conseguirá arcar”, concluiu a coordenadora.
Já em Parintins, a cerca de 370 quilômetros da capital, o nível do Rio Amazonas subiu mais de 9 metros, alagando um grande número de ruas em bairros como Emílio Moreira, São José Operário, Beco Submarino, Santa Rita e Francesa. Desde a semana passada, agentes comunitários de saúde estão visitando as áreas afetadas para alertar a população sobre o risco de doenças transmitidas pela água contaminada e os cuidados com a saúde. Em seu site, a prefeitura informa não ter condições de atender, sozinha, às necessidades das quase 1,5 mil famílias que vivem em áreas alagadas. O prefeito Bi Garcia deve viajar a Manaus nesta quarta-feira (9), para pedir ao governador Omar Aziz a ajuda estadual.
Coordenador da Regional da Defesa Civil do Alto Solimões e responsável por sete cidades da região (Tabatinga, Atalaia do Norte, São Paulo de Olivença, Amaturá, Santo Antônio do Içá, Tonantins e Benjamim Constant), Gildásio Araújo da Silva diz que há entre 200 e 300 famílias vivendo em abrigos, cerca de 120 recebendo o benefício do aluguel social e várias outras abrigadas nas casas de parentes e amigos.