08 de julho de 2026
Nacional

Compra de carro terá 20% de entrada


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São Paulo - Embora ainda faça parte de tabelas de bancos, o financiamento de veículos em 60 meses (cinco anos) e as propostas sem entrada sumiram do mercado atualmente.


Em meio ao cenário recorde de inadimplência no setor, um piso informal tem sido adotado como uma espécie de sinal para a compra: 20% do valor.


“Se passar proposta (de 60 meses ou sem entrada), só é aprovada se for milionário”, brinca o presidente da associação das concessionárias Ford, Sergio Zardo.


Segundo ele, o pedido antecipado do mínimo de 20% “evita o constrangimento do cliente” diante de uma possível reprovação da proposta.


Hoje, com o maior rigor nas análises, de três a cinco consultas apenas são aprovadas.


No balanço do quarto trimestre, quando teve prejuízo de R$ 605 milhões, o Banco Votorantim, um dos maiores em carros usados, informou a adoção do mínimo de 20%.


A mudança significa maior prudência em meio ao temor de bolha. O percentual garante cobertura para a depreciação do carro no primeiro ano em caso de inadimplência.


“Sem as medidas do BC (de restrição ao crédito) no fim de 2010, provavelmente a inadimplência estaria bem mais elevada. Isso expõe uma potencial bolha que agora já está com o risco mais reduzido”, diz Wermeson França, economista da LCA.


Mais do que ter acesso a juros reduzidos, portanto, o desafio para a classe média emergente é conseguir crédito, já que clientes em busca do carro de “entrada” -modelo 1.0 e primeira aquisição- são os mais afetados nessas condições.


Na outra ponta, clientes com capacidade de dar entradas maiores, de 40% a 60%, se beneficiam de taxas subsidiadas de até 0,99%.


O incentivo, que ganhou força nos últimos meses, tem função dupla: reduzir os estoques e ainda melhorar as carteiras.


Os movimentos elevaram a média das entradas nas compras. Foram de 15% para 30% nas lojas Ford e de 37,3% para 41,2% no Votorantim.


“Os juros vão continuar baixos. Não preciso sair correndo para comprar agora”, diz a planejadora financeira Myrian Lurd, que sugere os 20% e o prazo de três anos como uma boa condição de pagamento.