Paris - Foi breve a lua-de-mel de François Hollande após ser eleito como primeiro presidente de centro-esquerda da França em 17 anos. Os mercados financeiros ficaram nervosos ontem com suas políticas e com a possibilidade de uma reação às medidas de austeridade lideradas pela Alemanha.
O socialista venceu o segundo turno da eleição presidencial, no domingo, com 51,7 por cento dos votos, após uma campanha marcada pelos mesmos ressentimentos econômicos que já derrubaram dez outros líderes europeus desde 2009.
A preocupação dos mercados diz respeito também - e acima de tudo - à vitória de partidos antiausteridade na Grécia, também no domingo.
Hollande, que fez um discurso de vitória na localidade rural de Tulle, sua base eleitoral no centro do país, e em seguida viajou a Paris para falar a dezenas de milhares de eleitores na histórica praça da Bastilha, admitiu que a festa seria breve.
“Há um momento de alegria e orgulho, mas também de apreensão por assumir essa responsabilidade num momento difícil para o país e para a Europa”, afirmou.
“Em todas as capitais, além dos chefes de Estado e governo, há pessoas que encontraram esperança graças a nós, que estão olhando para nós e querem pôr um fim à austeridade.”
Seu principal assessor econômico disse, no entanto, que o novo governo não vai “distribuir dinheiro”.
Hollande vai tomar posse no dia 15 e irá viajar a Berlim em seguida para contestar o foco alemão nas políticas de austeridade, defendendo novas ideias para estimular a retomada do crescimento na zona do euro.
Ao chegar na manhã de ontem para uma reunião na sede da sua campanha, onde discutiria a formação do governo, Hollande enfatizou que o conservador Nicolas Sarkozy, seu rival no segundo turno, continua no cargo nos próximos dias.
“Eu devo me preparar. Eu disse que estava pronto, e agora preciso ter certeza de que estou, completamente”, disse ele a jornalistas.
O euro despencou ao seu menor valor frente ao dólar em três meses; as cotações do petróleo e de ações europeias chegaram ao valor mínimo dos últimos quatro meses e meio.
Michel Sapin, ex-ministro de Finanças centro- esquerdista, comanda a equipe econômica, que inclui também políticos, dirigentes empresariais e funcionários vistos como simpáticos aos mercados.
O próprio Sapin tratou de sinalizar que a lua-de-mel será curta.
Alemanha
A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, afirmou ontem que receberá o presidente eleito da França, François Hollande, “de braços abertos” e disse que os dois líderes trabalharão intensamente juntos.
“Nós trabalharemos bem e intensamente juntos e nós nos encontraremos muito em breve depois (que ele assumir o gabinete)”. “Eu posso dizer que do meu lado François Hollande será recebido de braços abertos aqui na Alemanha por mim”, afirmou Merkel, que apoiou Sarkozy.