09 de julho de 2026
Polícia

Criança de 11 anos é pega furtando

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

 

Um grupo chamado de “formigas do crime”. De pouca idade, os integrantes invadem lojas no Calçadão da Batista de Carvalho, em Bauru, pegam produtos, desafiam funcionários e fogem. No fim de semana, levaram mais de 50 peças de roupa de uma loja. Ontem, porém, a ação de um deles foi freada por funcionários, que conseguiram segurá-lo e acionaram a Polícia Militar (PM). Na delegacia, veio o espanto: o garoto tem apenas 11 anos. A mãe, desesperada, apela para que o filho seja internado (leia mais abaixo).

 

A ação do grupo, que é formado por cerca de oito adolescentes, foi divulgada com exclusividade há exatamente uma semana no Jornal da Cidade. Na ocasião, lojistas de toda a extensão do Calçadão narraram histórias de roubos, furtos, ameaças e vandalismo provocados pelo grupo que, pelo modo articulado de agir, foi apelidado de “formigas”.

 

Neste fim de semana eles voltaram a agir. Em uma loja da quadra seis, levaram exatamente 47 peças de roupas. No local, restaram somente os sensores de alarme que protegem as roupas. “O valor estimado de tudo que foi levado gira em torno dos R$ 2,5 mil”, conta um funcionário do estabelecimento, de 37 anos, que pediu para ter a identidade preservada.

 

Ontem, por volta das 15h, o grupo voltou à loja. Desta vez, eles estavam agindo em dupla. Quando começaram a pegar as peças, um dos funcionários resolveu agir. “Ele me chutou, mas, consegui segurá-lo e chamei a polícia. O outro conseguiu fugir”, relata.

 

Após serem acionados, os policiais militares foram até a loja. O tenente Pedro Batista Lamoso Júnior, comandante da Base Centro da PM, confirmou que o garoto faz parte deste grupo, cuja ação foi divulgada pelo JC na semana passada.

 

“Já havíamos identificado os integrantes. Ontem, fomos até a loja e conseguimos apreender este garoto. Ele realmente integra este grupo, que podemos considerar como uma ‘quadrilha de menores’. Com o menino, que tem apenas 11 anos, conseguimos localizar mais três peças de roupas”, conta o tenente.

 

As vestimentas foram apreendidas e devolvidas ao funcionário da loja. Elas, entretanto, já estavam rasgadas quando o garoto retirou os sensores do alarme. “É mais um prejuízo que o estabelecimento leva”, lamenta o funcionário. Já as 47 peças furtadas durante o fim de semana não foram localizadas.

 

 

 

Liberado

 

O garoto foi conduzido ao Plantão da Polícia Civil. A mãe dele e o Conselho Tutelar foram acionados. O caso, entretanto, não pôde ser registrado no local.

 

“Ele é uma criança ainda. Quando a mãe chegou e trouxe os documentos, vimos que ele tinha apenas 11 anos. Não se encaixa como adolescente e, por isso, não pode ser feito nada pela delegacia”, afirma o delegado plantonista Paulo Calil.

 

De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o indivíduo que tem menos de 12 anos é considerado criança. Assim, foi feito o registo no Conselho Tutelar e a garoto foi liberado. O caso será encaminhado à Vara da Infância e Juventude de Bauru. 

 

No momento em que a criança saía do Plantão com sua mãe, outro proprietário de uma loja do Calçadão chegava. Aos berros, ele mostrou toda sua indignação. “Se ele aparecer de novo na minha loja, eu racho a cabeça dele. É um absurdo. E ainda tem gente que defende. Como pode?”, gritou o homem, em frente ao Plantão. 

 

 

 

‘Pelo amor de Deus, internem ele’, suplica a mãe

 

Dramática, a frase acima, por mais inacreditável que pareça, foi dita pela mãe do garoto de 11 anos. Desempregada atualmente, a ajudante geral de 29 anos afirma não saber mais o que fazer. Para ela, o limite ultrapassado para chegar a este desespero foram as mais de 20 vezes que precisou buscar o filho em delegacias.

 

“Estou realmente desesperada. Já pedi muitas e muitas vezes para ele ser internado. Não sabemos mais o que fazer. Perdi as contas de quantas vezes fui tirar ele de delegacia. De noite, grávida, em todas as situações. Foram mais de 20 vezes”, desabafa a mulher, que teve a identidade preservada em respeito ao ECA.

 

Ela, que tem outros cinco filhos, conta que o garoto começou a “dar trabalho” há quatro anos. “O pai dele cumpriu pena por tráfico. Foi quando ele saiu que o nosso filho começou a dar muito problema”.

 

Além do garoto de 11 anos, outro filho, de 13, também estaria envolvido com o crime. “Não aguento mais. Já pedi a internação deles várias vezes. Estou apelando. Ele precisa ser internado ou vai ocorrer algo ainda pior.” Do plantão policial, mãe e filho partiram para o ponto de ônibus. “Nem vou nesse ponto perto da delegacia. Todo mundo já conhece ele. Eu fico morrendo de vergonha.”