08 de julho de 2026
Geral

Bauru festeja: a guerra acabou!

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Há 67 anos, o clima era de feriado em Bauru. No dia 8 de maio de 1945, foi celebrado o “Dia da Vitória” por conta da rendição das tropas alemãs de Adolf Hitler aos Aliados que combatiam o nazismo. Era o fim da Segunda Guerra Mundial. A notícia chegou ao Brasil já no dia anterior e foi motivo de muita comoção também na cidade, que enviou alguns de seus “filhos” para os combates na Itália e sofreu consequências diretas em razão da tensão entre tantas nações do planeta.

O historiador e memorialista Luciano Dias Pires era adolescente na ocasião, mas lembra bem dos sinos de todas as igrejas tocando em comemoração ao fim da guerra. As pessoas foram às ruas, todas muito agitadas e comentando o assunto, acompanhado diariamente pelo noticioso Repórter Esso, da Rádio Nacional.

 

Além disso, o dia foi de folga para grande parte dos trabalhadores de Bauru. Os ferroviários da Noroeste do Brasil, por exemplo, foram todos dispensados de suas atividades já na metade do dia 7, mas a folga se estendeu ao dia seguinte, quando, na Inglaterra, acontecia a maior das comemorações.

 

 

 

Com pompas

 

Logo em 1942, quando o Brasil entrou na guerra, o bauruense Arnaldo Vissoto foi para a Itália pela Força Aérea Brasileira (FAB). Condecorado comendador em Alexandria, território italiano, ainda durante os combates, ele se formara aviador no Aeroclube de Bauru. Na Europa, Vissoto era responsável por voos de reconhecimento para fotografar as tropas inimigas, com o objetivo de registrar suas movimentações. “Era uma atividade de grande risco. Ele poderia ser abatido a qualquer momento”, comenta Luciano Dias Pires.

 

Quando voltou a Bauru, em 1945, o aviador foi recepcionado por uma multidão, que o aguardava em frente à estação ferroviária. A comitiva subiu a rua Batista de Carvalho e teve como destino a praça Rui Barbosa, onde Vissoto discursou à população junto ao professor Guedes de Azevedo, proprietário da escola em que o militar estudara.

 

Após o retorno da guerra, o combatente foi para São Paulo, onde se formou e lecionou no ITA. Entre os familiares de Arnaldo em Bauru, restou uma sobrinha, Vilza Vissoto Cruz. No entanto, os laços familiares já não são mais tão fortes e ela não possui lembranças ou informações mais detalhadas acerca do tio. “Sei apenas que ele ganhou uma placa de bronze em Bauru, que ficava em uma praça, mas ela foi roubada e só ficou a estrutura de concreto”, lamenta.

 

 

 

Gás para locomoção

 

Não eram apenas alimentos que faltavam durante os quase três anos em que o País participou da guerra. Em Bauru, inclusive, gasolina era item raro. Para resolver o problema, todos os tipos de veículos, como carros e ônibus, recorriam ao chamado “gasogênio”.

 

Os motoristas instalavam grandes latões na traseira dos veículos, carregados com o gás que movia os motores. Luciano Dias Pires pondera, no entanto, que o sistema improvisado ficava muito aquém do que a tecnologia do GNV, adotada por muitos veículos nos últimos anos.

 

 

 

Pão de guerra

 

Já pensou não ter o pãozinho de cada dia pela manhã? Pois era grande o risco de um bauruense ficar sem o seu durante o período de guerra. Isso porque a produção da farinha de trigo era muito escassa, o que levou ao racionamento do pão. 

 

“As pessoas faziam fila e havia um número máximo de pães que cada uma podia comprar para evitar que alguém ficasse sem”, lembra Luciano Dias Pires.

 

Ainda assim, o pãozinho vendido nos tempos da Segunda Grande Guerra não era o mesmo que sai das padarias hoje em dia. 

 

Por conta da dificuldade na importação e na produção de trigo, o chamado “pão de guerra”, além da farinha tradicional, era feito com a adição de fubá para que fosse possível um volume maior de massa. Apesar de diferente, o historiador garante que o sabor era bom...

 

O racionamento não se restringia aos pães. Pires conta que muitos outros produtos eram escassos. Outro exemplo é a carne. “Só abatiam os bois três vezes por semana porque faltava mesmo”, relata o historiador Dias Pires.

 

 

 

Combate na telona

 

Se, apesar de alguns problemas, o clima era de tranquilidade em Bauru entre os anos de 1942 e 1945, os moradores da cidade tinham contato com a realidade dos combates em terras europeias por meio das telas de cinema. Chegavam à cidade diversos documentários que reproduziam as cenas da guerra.

 

No entanto, a ficção também tinha espaço e atraia, principalmente a juventude, a partir das figuras dos ídolos hollywoodianos que transformavam os combates em histórias de mocinho e vilão. 

 

“Eram cenas dos americanos matando os alemães e a garotada vibrava”, lembra o historiador Luciano Dias Pires.