São Paulo - O emissário da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, disse ontem ao Conselho de Segurança que seu plano de paz para a Síria pode ser “a última oportunidade de evitar uma guerra civil” no país, disseram fontes diplomáticas.
Além disso, acrescentou que o plano de seis pontos não é uma oportunidade “sem final definido” para o ditador sírio, Bashar al Assad, segundo os diplomatas que participaram da reunião a portas fechadas de Annan com o Conselho de Segurança.
Annan manifestou ainda o seu temor de que a tortura, as prisões em massa e outras violações dos direitos humanos estejam se “intensificando” na Síria. O emissário disse ao Conselho que as pessoas conhecidas na Síria por apoiarem a não violência no levante foram presas pelo governo.
A comunidade internacional continua a solicitar o cumprimento do plano de Annan na Síria e o progressivo desdobramento de observadores das Nações Unidas no local para o início de um diálogo político no país que permita fechar a crise e a violência atual.
O plano de paz proposto por Annan contempla o fim da violência, a retirada dos tanques das cidades, a libertação dos detidos de forma arbitrária e o início de um diálogo entre o governo e os opositores, entre outros pontos. O emissário manifestou o seu temor de que a tortura, as prisões em massa e outras violações dos direitos humanos estejam se “intensificando” na Síria, e afirmou ainda que cabe a Assad assumir a “responsabilidade básica” para acabar com os confrontos armados e “criar um ambiente que conduza a um processo político”.
A oposição síria denunciou recentemente uma “escalada das prisões”, o que viola o plano de paz que prevê, além do fim da violência, a libertação de pessoas detidas durante a revolta que afeta o país há 14 meses.
Apesar disso, acrescentou que o plano de seis pontos não é uma oportunidade de “final aberto” para o presidente sírio, Bashar al-Assad, segundo os diplomatas que participaram da reunião a portas fechadas de Annan com o Conselho de Segurança.
Em relação à aplicação do plano de saída da crise, Annan constatou um “progresso limitado” no campo militar, enquanto o exército continua “a pressionar a população de maneira mais discreta”. Ele clamou por um diálogo político entre poder e oposição e justificou que a presença dos observadores da ONU tem por objetivo “criar condições propícias para facilitar um progresso político”.
O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, declarou pouco antes que não perdeu as esperanças na Síria, mas acrescentou que seriam necessários “1.000, 2.000, talvez 3.000 observadores” da ONU. O relatório de Annan, com base em relatórios dos sessenta observadores no terreno, foi divulgado um dia depois das eleições parlamentares boicotadas pela oposição e condenadas pela comunidade internacional, particularmente pelo chefe da ONU, Ban Ki-moon.
O mundo está “envolvido em uma corrida contra o tempo para evitar uma guerra civil”, insistiu Ban Ki-moon. “Somente um diálogo amplo e inclusivo pode levar a um futuro verdadeiramente democrático na Síria”, afirmou seu porta-voz Martin Nesirky.