Lemos sua carta publicada neste tão conceituado jornal e lamentamos sua falta de informação em relação aos problemas que envolvem a Maternidade Santa Isabel e aos direitos dos funcionários da AHB (Associação Hospitalar de Bauru), que dedicaram parte de suas vidas trabalhando na maternidade. O Seessb (Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos e Serviços de Saúde de Bauru) sempre buscou a preservação do atendimento à saúde da população e também anseia pela melhoria da qualidade da prestação de serviço. A excelência no atendimento aos pacientes só poderá ser atingida se os funcionários estiverem exercendo suas funções de maneira digna e num ambiente de trabalho de qualidade. Não somos contra nenhuma melhoria no atendimento. Queremos que a população receba o que merece e que aos funcionários tenham seus direitos garantidos.
Mesmo diante da crise que atingiu a Maternidade Santa Isabel e o Hospital da Base, os funcionários têm cumprido suas funções e amparado os pacientes nos momentos mais frágeis de suas vidas. Em nenhum momento o Sindicato questionou a competência dos diretores da Famesp (Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar), muito menos a do futuro diretor executivo da maternidade Antônio Rúgolo Júnior. É inconcebível para o Sindicato que alguém possa acreditar que funcionários que trabalham a décadas na Maternidade Santa Isabel não tenham direito de receber pela rescisão de seus contratos de trabalho, de imediato, e que para recebê-la tenham que entrar com ação judicial contra o Estado. Trabalhador não é escravo. Sabemos como a Justiça é morosa e como terminam as ações movidas contra o Estado. Ao encerrar seus contratos de trabalho estes funcionários estarão desempregados, perderão sua fonte de renda o que refletirá no sustento de suas famílias. Estes não podem simplesmente virar as costas e deixar para trás seus direitos.
Também não é justo que estes trabalhadores tenham de aguardam anos para receber seus direitos trabalhistas ou que o pagamento seja feito por precatórios, como é comum ocorrer no Estado. O direito desses trabalhadores tem caráter alimentar e tem sido amparado pelo Ministério Público do Trabalho, por meio do procurador Luiz Henrique Rafael e, dos promotores de Justiça José Carlos Carneiro de Oliveira, Fernando Masseli Helene e Lucas Pimentel de Oliveira. Será que todos eles também estão errados? Além dos mais, senhor Ortolan, estes trabalhadores lidam com vidas. Não são encarregados de seções que produzem objetos mecanicamente e podem ser trocados por outros a qualquer momento. Foi pelas mãos desses funcionários da Maternidade Santa Isabel que muitos bauruenses vieram ao mundo.
Foram por estas mãos que muitos bauruenses foram tocados pela primeira vez com carinho, amor e dedicação. Estes trabalhadores não são máquinas que se desligam e colocam num canto, enquanto se esperam por outras de última geração. O Sindicato entende que a Maternidade Santa Isabel deve oferecer o melhor atendimento possível a população. Porém, sabemos que experiência e dedicação não se compram e não se aprendem nos livros. Lamentamos que pessoas concordem que estes funcionários, que foram tão importantes para tantos bauruenses, sejam tratados neste momento como copos descartáveis.
Desculpe-nos, senhor, estes trabalhadores são tão humanos quanto os que estão nascendo neste momento. Se não respeitarmos os direitos destes trabalhadores, o que será do direito daqueles que estão chegando ao mundo agora, lá na velha Maternidade Santa Isabel?
Diretoria do Seessb - Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos e Serviços de Saúde de Bauru