08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

ANJO MUDO


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Esse anjo a quem chamas de mãe amamentou-te, ensinou-te a falar e a dar os primeiros passos, até que pudesses firmar-te nos pés e caminhar por si só. Amparou-te a meninice, orientou-te a trilhar o caminho do bem e quantas vezes chorou em silêncio pelas preocupações que tu mesmo lhe causaste.

Velou à tua cabeceira quando ardias em febre, enxugou as tuas lágrimas quando dela te aproximavas chorando, pelas pequenas quedas que levavas nas tuas peraltices de criança.

Inúmeras vezes ela se privou de algo que tanto desejava, para atender-te os caprichos quando adolescente. Tua mãe é esse anjo mudo a quem, agora, muitas vezes te esqueces de demonstrar carinho e gratidão por tudo o que ela fez e ainda tem feito por ti. Mas sem reclamar e a tudo suportar por amor a ti é que pode ser considerada um anjo mudo.

E, como um anjo mudo, continua a perdoar-te as grosserias com que muitas vezes a tratas, desculpando-te perante Deus pelas fraquezas da tua alma invigilante.

Pelos caminhos da vida prossegue, ainda hoje, com os cabelos prematuramente encanecidos, a orar por ti, quando as dificuldades da vida levam-te, muitas vezes, à revolta ou ao desespero. Não esperes tu, se ainda a tiveres viva, para abraçá-la e beijá-la com muito carinho, dizendo que muito a ama, em especial no mês em que todas as mães são justamente homenageadas: o Dia das Mães.

Lúcia Lopes Cominatto