Atenas - A Grécia definiu ontem, após nove dias de impasse, que haverá outra eleição parlamentar em junho para que seja possível formar um novo governo no país.
Na eleição do dia 6, nenhum partido teve votação suficiente para ter maioria absoluta no Parlamento e indicar o novo premiê, abrindo margem para um período de negociações que se provou ineficaz. O cenário deve se repetir na próxima votação. Até lá, o país terá um governo interino, que deve ser nomeado hoje.
“Pelo amor de Deus, vamos partir para algo melhor e não para algo pior”, disse o líder do partido socialista, Evangelos Venizelos, a repórteres após a reunião. “Nossa pátria pode encontrar o seu caminho, vamos lutar por isso.”
Agora, em meio às incertezas causadas pela primeira eleição, a Grécia também tem que se preocupar com as reações da comunidade internacional, que passa a discutir abertamente a saída do país da zona do euro.
Líderes europeus dizem que vão cortar o financiamento à Grécia se o país recuar das promessas feitas em troca do pacote de ajuda acertado em março, o que pode significar a falência do Estado e a exclusão grega da zona do euro.
As autoridades da UE salientam que a margem de renegociação no acordo de 130 bilhões de dólares é ínfima, embora o ministros de Finanças da zona do euro, Jean-Claude Juncker tenha acenado com algumas concessões caso os partidos gregos consigam superar suas divergências.
FMI
Hoje foi a vez de Cristine Lagarde, diretora-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), afirmar a uma TV francesa que não se deve descartar a saída do país do bloco de 17 nações que usam a moeda comum.
“Seria uma situação extremamente custosa e com grandes riscos, mas estamos obrigados a analisá-la de um ponto de vista técnico”, declarou.
As pesquisas de opinião indicam que o maior beneficiado pela realização de novas eleições é o partido Syriza (Coalizão da Esquerda Radical), que se declara contra o pacote de resgate.
Na primeira votação, o Syriza alcançou um inédito segundo lugar na preferência dos eleitores, perdendo apenas para o Nova Democracia, de centro-direita, mas à frente do tradicional Pasok (Partido Socialista Pan-Helênico).
Os três partidos, de acordo com a Constituição grega, tentaram montar coalizões de governo, mas fracassaram.
Com isso, o presidente do país liderou nos últimos três dias esforços para constituir um governo de “união nacional”, mas anunciou ontem que não teve sucesso.
A notícia fez com que as principais Bolsas europeias seguissem para o segundo dia consecutivo de queda: Londres fechou em baixa de 0,51%; Paris caiu 0,61%; Frankfurt oscilou 0,79% para baixo. Com o temor dos investidores quanto ao contágio da crise, aumentou o valor dos juros da dívida pública de países como Itália e Espanha, ambos acima dos 6%.
Até mesmo o euro sofreu com o temor originado pelo impasse na Grécia, chegando a seu menor valor em relação ao dólar desde janeiro.
A Grécia tentou acalmar o mercado anunciando que pagará integralmente um título de 450 milhões de euros que venceu ontem, depois de não ter conseguido convencer os investidores a diminuir seu valor.