10 de julho de 2026
Política

Alerta: esgoto "invade" residências

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

A conhecida deficiência no sistema de captação de água pluvial em Bauru revela um problema de saúde pública com o retorno de esgoto para dentro de residências. Por consequência, a mistura de água com esgoto na rede acaba saturando a utilização de Estações de Tratamento de Esgoto (ETE), como em Tibiriçá e no Núcleo Gasparini, gerando outro problema: a ineficiência do tratamento de resíduos sólidos. 

 

A combinação das duas deficiências levou o DAE a alertar, ontem, para a necessidade de um comunicado à população. Ou os moradores ajustam o sistema de captação de água pluvial ou milhares de moradias vão se deparar com o problema de saúde coletiva dentro da tubulação, nos cômodos das casas. Não se trata apenas de um problema de mau cheiro, mas sanitário, adverte o diretor do Serviço de Ligações do DAE, Alex Castor. 

 

No cargo há 20 meses, ele admite que a deficiência deveria estar regulada por lei específica. “É um problema que muitos moradores não resolvem. E tem modificações nos imóveis com instalação errada de água pluvial. Quando o DAE toma conhecimento, faz vistoria e autua. Mas é necessário que as regras de instalação correta do sistema de água pluvial estejam previstas no Código de Obras Municipal, através de lei. Estamos preparando o envio da minuta de projeto de lei ao prefeito para resolver isso”, cita. De outro lado, o mesmo diretor expõe que a legislação não contempla exigência para que o morador instale o sistema pluvial de foram adequada. A Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) aprova a planta das moradias e o DAE, isoladamente, cuida da ligação da rede de água e esgoto. “Com a previsão no Código de Obras Municipal, em lei, será possível determinar a instalação, o dimensionamento e questões como uma válvula que tem de colocar na caixa de visita para minimizar o retorno dessa água da chuva para dentro da rede sempre que chover muito. É um sistema de minimizaria muito a ocorrência”, comenta. 

 

 

 

Alerta coletivo    

 

Somente no ano passado, 906 imóveis tiveram constatada a reclamação de retorno de esgoto para dentro das casas. “O problema é muito sério, porque o esgoto que retorna na tubulação das casas gera problema de saúde e problema sanitário. Tem de resolver isso”, avalia (veja infográfico ilustrativo nesta página).

 

O alerta da proliferação de retorno de esgoto para dentro das moradias ganha maior dimensão em razão do funcionamento da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) no Núcleo Gasparini. A estação Candeia, confirma a autarquia, está recebendo indevidamente muita água junto com o lodo do esgoto. Isso satura o sistema de tratamento e derruba sua eficácia. 

 

“Na prática, a Estação de Tratamento está recebendo muita água de chuva que vem do retorno da tubulação das casas, por causa do problema com a rede pluvial. Isso misturado com o retorno do esgoto faz com que a ETE funcione com vazão exagerada muito cedo. Em pouco tempo, se isso não for corrigido, a ETE estará trabalhando no limite e com eficácia baixa no sistema de tratamento”, menciona a diretora da ETE Candeia, Giselda Passos. 

 

Segundo ela, a Estação de Tratamento do Gasparini tem capacidade máxima de vazão de 78 litros por segundo e seu projeto aponta suporte para dar destino adequado ao resíduo para uma população de até 50 mil habitantes. “Mas com o retorno de esgoto para dentro das casas com muita água da chuva vinda da rede irregular de água pluvial essa vazão já atinge 40 litros por segundo somente na Estação Candeia. A ETE perde eficiência e vai saturar em pouco tempo”, adverte Passos.

 

A ETE Candeia tem problemas em sua concepção, projeto executivo e instalação, conforme relatório da própria contratada (empresa Sanevix Ambiental). A assessoria de imprensa do DAE foi informada do processo interno pelo JC.