07 de julho de 2026
Nacional

Comissão da Verdade é instalada

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

 

Brasília - A presidente Dilma Rousseff assinou ontem a instalação da Comissão da Verdade, em cerimônia oficial no Palácio do Planalto. A comissão é formada por sete integrantes: José Carlos Dias (ex-ministro da Justiça no governo Fernando Henrique), Gilson Dipp (ministro do STJ e do TSE), Rosa Maria Cardoso da Cunha (ex-advogada de Dilma Rousseff), Cláudio Fonteles (ex-procurador-geral da República no governo Lula), Maria Rita Kehl (psicanalista), José Paulo Cavalcanti Filho (advogado e escritor), Paulo Sérgio Pinheiro (ex-secretário de Direitos Humanos).

 

O grupo terá a missão de investigar e narrar violações aos direitos humanos ocorridos entre 1946 e 1988 (que abrange o governo do presidente Eurico Gaspar Dutra até a publicação da Constituição Federal). O grupo apontará, sem poder de punir, responsáveis por mortes, torturas e desaparecimentos na ditadura e vai funcionar por dois anos. Ao final deste prazo, a Comissão deverá elaborar um relatório em que detalhará as circunstâncias das violações investigadas.

 

Os integrantes da Comissão da Verdade buscaram abrandar a primeira divergência pública do grupo: a possibilidade de investigar violações de direitos humanos cometidas não só pela ditadura, mas também pela guerrilha que a combateu.

 

 

 

Dilma chora

 

A presidente Dilma Rousseff afirmou ontem que a Comissão da Verdade não será movida pelo ódio ou pelo revanchismo. “Ao instalar a Comissão da Verdade, não nos move o revanchismo, o ódio, ou o desejo de reescrever a história de uma forma diferente do que aconteceu. Mas nos move a necessidade imperiosa de conhecê-la em sua plenitude, sem ocultamento, sem camuflagem, vetos, sem proibições”, disse a presidente. Durante a cerimônia de instalação da comissão, no Palácio do Planalto, Dilma também chorou ao falar sobre o sentimento dos familiares de mortos e desaparecidos durante o regime militar.

 

“Sobretudo merecem a verdade factual aqueles que perderam amigos e parentes, e que continuam sofrendo como se eles morressem de novo e sempre a cada dia”, afirmou a presidente, muito emocionada. Em seguida, Dilma completou a frase, referindo-se aos mortos e desaparecidos durante o regime militar. “É como se disséssemos que se existem filhos sem pai, se existem pais sem túmulo, se existem túmulos sem corpos. Nunca, nunca mesmo pode existir uma história sem voz. E quem dá voz a história são homens e mulheres livres que não têm medo de escrevê-la.”

 

Durante o discurso, a presidente Dilma saudou a presença dos quatro ex-presidentes: José Sarney, Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. Ela afirmou que cada governo contribuiu para o avanço da democracia.