08 de julho de 2026
Cultura

O chão que nutre Lenine

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 4 min

O canto de um pássaro, batimentos cardíacos, o apito de uma chaleira, uma máquina de escrever e até sons de motosserra. Esses são alguns dos ruídos que o ousado Lenine utilizou para compor suas dez novas faixas “orgânicas, intensas e poéticas”, como ele mesmo classifica. O recente trabalho envolto em significados peculiares se chama “Chão”, que tem turnê passando pelo Interior e litoral de São Paulo. Em Bauru, o show do pernambucano estreia na próxima quarta-feira, dia 23 de maio, às 21h, no Ginásio de Eventos do Sesc.

 

O palco que receberá o espetáculo promete se transformar em cenário um tanto surpreendente, segundo material de divulgação do cantor. Paulo Pederneiras, diretor de arte, criou um ambiente em tons vermelhos, que ocupa apenas o chão da caixa cênica, em contraste com o entorno totalmente negro. Três lâmpadas simples, uma sobre cada um dos músicos, compõem a cena. O JC entrevistou Lenine, ontem, para saber mais sobre a nova turnê. Confira os principais trechos:

 

 

 

JC -  Você já veio para Bauru, certo? Lembra-se da última vez?

Lenine -  Não me lembro do ano em que estive em Bauru, pois já estou na estrada há tanto tempo, é difícil recordar... Mas que eu me lembre foi no Sesc, e se eu não me engano foi em um projeto que reunia outros músicos no palco.

 

 

 

JC -  E qual a expectativa para o show no Sesc da cidade na próxima semana?

Lenine -  Eu acho bacana, eu gosto muito das iniciativas do Sesc. Eu sou daquela época de “Sesc, drogas e rock’n’roll”. As drogas e o rock’n’roll eu até dispenso, mas o Sesc não!

 

 

 

JC -  O que todo mundo quer saber é sobre seu novo trabalho, “Chão”. Fale mais sobre ele...

Lenine -  Bom, “Chão” foi lançado em outubro do ano passado. É um projeto que tem algumas características. Ele não leva bateria nem percussão, apenas utiliza o som do cotidiano para ambientar as canções. Isso é uma novidade no meu trabalho e é importante destacar a maneira que utilizamos os sons, que não tiveram manipulação. O orgânico é outra característica presente, o que difere dos meus álbuns anteriores. E na hora que a gente foi migrar o disco para o palco, aí o projeto ganhou outras dimensões -  a do som surround, a espacialidade do som. Causa uma experiência sensorial nova em quem presencia a apresentação.

 

 

 

JC -  E durante o show, como a plateia vai sentir essas inovações?

Lenine -  Independentemente de onde você estiver na plateia, na música “Trânsito”, por exemplo, você vai se sentir em um cruzamento. Os ruídos chegam até em quem está no fundo. E a gente brinca com isso. O palco coloca três músicos em cena, com vários instrumentos, um interferindo no som do outro. Essa é a experiência de Chão -  o som em tempo real.

 

 

 

JC -  Qual foi a inspiração para tudo isso?

Lenine -  Foi o Frederico, o canário (pássaro da casa da sogra do cantor). A gente estava gravando e ele soltou o tom de uma música. E, além de Frederico, o som do nosso cotidiano, o que está em volta da gente, em tempo real -  o som das cigarras; da chaleira, nos avisando a hora do café; os passos, para delimitar o chão; as batidas do coração, tudo isso está presente no disco.

 

 

 

JC -  E o fato da capa do álbum trazer seu neto, revela um lado mais sentimental, talvez?

Lenine -  Na verdade, sempre utilizei a capa dos meus discos como oportunidade de reafirmar o projeto. Na hora que eu vi que o disco iria chamar “Chão”, a minha escolha da capa teve a ver com o significado que essa palavra carrega -  chão é tudo aquilo que te sustenta. Meu neto estava dormindo e minha esposa foi quem tirou aquela foto.

 

 

 

JC -  Entre as dez músicas inéditas, quais são as grandes apostas?

Lenine -  Você perguntaria a um pai qual filho ele mais gosta? (risos). As canções são como filhos. Mas a gente sempre tem um cuidado maior com o “filho” mais novo. E é isso que está acontecendo com “Chão”.

 

 

 

JC -  Além da música, é verdade que você é um apaixonado por orquídeas?

Lenine -  Eu não diria apaixonado, eu sou um orquidólatra. Um orquidólatra é aquele que idolatra orquídeas. Eu tenho um sítio onde eu cultivo muitas dessas plantas. Começou como hobby e se transformou em algo que eu levo muito a sério.

 

 

 

Show com Lenine no dia 23 de maio, quarta-feira, às 21h, no Ginásio de Eventos do Sesc. Ingressos à venda na Central de Atendimento a R$ 5,00 (trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado e seus dependentes); R$ 10,00 (usuário matriculado, estudantes, professores da rede pública e maiores de 60 anos, com comprovante); R$ 20,00 (demais interessados). O Sesc fica na av. Aureliano Cardia, 6-71. Informações: (14) 3235-1750.