09 de julho de 2026
Polícia

Polícia barra tráfico em R$ 500 mil

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 4 min

O tráfico de drogas é um delito amplamente discutido pela sociedade que movimenta milhões de reais em todo o País. Um levantamento feito pela Delegacia de Investigação Sobre Entorpecentes (Dise) de Bauru apontou que, entre janeiro e abril deste ano, foram apreendidos aproximadamente 269 quilos de maconha, 17 quilos de crack e 4 quilos de cocaína, o equivalente a quase R$ 500 mil se o peso for transformado nos valores que os entorpecentes são vendidos no “varejo”.

 

O mesmo levantamento mostra que entre janeiro e abril do ano passado as apreensões de maconha somaram aproximadamente 42 quilos, de cocaína 19 quilos e de crack 4 quilos. Portanto, a quantidade de drogas apreendidas este ano é 87% maior, levando em consideração que em uma única apreensão feita em março deste ano em uma chácara foram localizados 200 quilos de maconha. O mesmo período de 2011 computou 87 flagrantes com 109 pessoas presas, sendo que este ano foram 76 flagrantes com 86 pessoas presas.

 

Conforme apurado junto à Polícia Militar (PM), as chamadas “trouxinhas” de maconha geralmente pesam 5 gramas e são vendidas a R$ 5,00. Já os “papelotes” ou “pinos” de cocaína pesam cerca de 1 grama e são “repassados” a R$ 10,00. Por fim, as pedras de crack, que pesam em geral 0,7 grama, são vendidas entre R$ 5,00 e R$ 10,00.

 

“Não dá para dizer que aumentou ou diminuiu a quantidade de droga apreendida porque tudo depende do momento do flagrante, da investigação. Às vezes, quando conseguimos flagrar o indivíduo investigado, é um momento que quase todo o entorpecente foi vendido na madrugada, porque atualmente as famosas ‘lojinhas’ do tráfico trabalham com a demanda que já estão acostumados, para evitar perdas. Mas o importante é desarticular o ponto de tráfico e prender os acusados de envolvimento”, explica o delegado da Dise Ricardo Dias.

 

Diferente do trabalho da Polícia Civil, que se dedica às milhares de investigações, o trabalho da Polícia Militar  é diretamente nas ruas e, por isso, visualiza o problema no dia a dia. O major Flávio Jun Kitazume, subcomandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPMI), opina que a percepção da PM, atualmente, é de que as denúncias de tráfico aumentaram significativamente nos últimos anos.

 

“A gente percebe que a sociedade está cada vez mais próxima da Polícia Militar e, por isso, o número de denúncias aumentou muito. Podemos dizer, em estimativa, que mais de 50% das prisões efetuadas correspondem ao tráfico. No restante dessa porcentagem ficam diluídos os outros delitos como furtos, roubos e outras ocorrências”, disse Kitazume.

 

 

 

Varejo

 

As polícias Civil e Militar atuam contra o tráfico de varejo. O subcomandante do 4º BPMI afirma: “As biqueiras não estão mais restritas às comunidades carentes. Estão também nas residências de classe média-alta, comércio em geral, enfim, no varejo”. 

 

Os olhares da Polícia Civil também se voltam à modalidade. Conforme divulgado pelo JC na edição de ontem, foram presas 13 pessoas acusadas de tráfico de drogas em uma operação que contou com 190 policiais civis. O objetivo era coibir as articulações do delito, que está pulverizado pelos bairros da cidade. 

 

 

 

A porta de entrada

 

O tráfico de drogas não é simplesmente um delito, como os outros, é uma questão de saúde pública, principalmente quando o assunto é o crack. “O tráfico é também a mola propulsora para outra série de crimes como, por exemplo, o homicídio, furtos, roubos, violência doméstica (vícios). Estes estão relacionados às dívidas a traficantes ou ao vício do entorpecente”, frisou o major Flávio Jun Kitazume, subcomandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPMI).

 

Sem políticas públicas eficazes para lidar com o problema, as prisões só inflam o sistema carcerário, que funciona como uma “escola do crime”. “Dentro da cadeia, os detentos trocam informações e acabam aprendendo coisas piores. Sem políticas públicas para darem vazão, as cadeias ficam cada vez mais lotadas e o crime não cessa”, acrescentou.

 

 

 

O crime aumentou?

 

Para o coordenador do Observatório de Segurança Pública da Unesp de Marília, professor doutor Luis Antônio Francisco de Souza, o tráfico de drogas, seja como delito ou questão de saúde pública, sempre esteve presente na sociedade, no entanto hoje as políticas estão muito agressivas em relação às drogas.

 

“O nosso desafio hoje, em termos de políticas públicas é fazer com que essas políticas respeitem esses dois limites. A saúde pública já tem uma boa experiência em políticas preventivas de doenças. Então ela tem que usar esse mesmo modelo de prevenção à questão da droga. Por isso acabamos tendo, cada vez mais a sensação de que a droga está fora de controle”, destacou.

 

 

 

Filosofia da fiança

 

Para o coordenador do Observatório de Segurança Pública da Unesp de Marília, professor doutor Luis Antônio Francisco de Souza, o sistema prisional no Estado de São Paulo, só tem porta de entrada, não tem porta de saída. 

 

“A fiança é um mecanismo de proteção para esse tipo de coisa (sistema prisional de entrada sem saída). A prisão tem muito mais problemas do que soluções”, diz. “A penitenciária acaba sendo um local de troca de informações e a fiança acaba quebrando este ciclo. A prisão não é a melhor solução, infla o sistema e não ressocializa. É apenas a ponta do iceberg, mas temos também que poupar a sociedade”, completa o major Flávio Jun Kitazume, subcomandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPMI).