O padrasto do adolescente de 17 anos apontado como o principal suspeito de ter tentado extorquir a atriz Carolina Dieckmann afirma que o rapaz é inocente. Mas, para a polícia do Rio de Janeiro, o jovem de Bauru continua sendo um dos quatro suspeitos de divulgar fotos íntimas da artista na internet.
“Obviamente, ele é inocente. É o que ele vem afirmando desde que tudo começou”, defende o padrasto, que não terá o nome divulgado em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O rapaz ainda não se manifestou oficialmente à polícia e deverá ser ouvido por meio de carta precatória, ou seja, o depoimento dele deve ser colhido em Bauru por uma autoridade policial da cidade.
Entretanto, o delegado seccional de Bauru, Marcos Mourão, destaca que ainda não há previsão para que a oitiva ocorra. “Enquanto eu não receber a carta precatória do Rio de Janeiro, eu não vou ouvi-lo. Todo o encaminhamento do caso está sob responsabilidade da delegacia (de Repressão a Crimes de Informática – DRCI) de lá”, ressalta o seccional de Bauru.”, adianta.
Conforme o padrasto do garoto, o adolescente está disposto a colaborar com a polícia, mas não irá prestar qualquer declaração antes de a família ter acesso ao conteúdo do inquérito. “Preciso saber sobre o que ele está sendo acusado. Até agora, dentro do que foi divulgado pela mídia, nada evidencia a participação dele no caso”, resume ele, que é advogado.
Na manhã de ontem, o advogado criminal constituído pela família para defender o rapaz esteve na Delegacia Seccional de Bauru para tentar obter mais dados sobre o caso, mas foi informado por Mourão de que todas as investigações estão sendo realizadas pela DRCI. A assessoria de imprensa da Polícia Civil do Rio de Janeiro informou que o delegado Gilson Perdigão, responsável pelas investigações, viajou a trabalho na tarde de ontem, mas não confirmou se a cidade de destino seria Bauru.
De acordo com o padrasto, o adolescente está tranquilo quanto à sua inocência e tem levado uma vida normal. “O abalo foi provocado inicialmente pelo sensacionalismo da mídia. Ele é um menino e não estava preparado. Depois que eu expliquei tudo, ele ficou mais tranquilo. Está, inclusive, frequentando a escola normalmente”, detalha.
Contrariando a defesa do padrasto, a DRCI confirmou, novamente, que as suspeitas que recaem sobre o jovem bauruense são fortes. Ele foi identificado através do Protocolo de Internet (IP, espécie de registro) do seu computador, mas a polícia não informou quais atividades ilegais teriam sido executadas na máquina.
Outros fatores subjetivos também teriam fortalecido as suspeitas sobre o rapaz, especialmente em relação à extorsão contra a atriz, de quem os criminosos teriam exigido R$ 10 mil para que as fotos não fossem disponibilizadas na internet. O valor é considerado pequeno pela polícia, que acredita que a voz nas gravações, de fato, seria de um adolescente.