Jaú – Após 17 anos de atividades, a Companhia do Calçado, um dos mais tradicionais shoppings do setor no município de Jaú (47 quilômetros de Bauru), vai fechar as portas. Prevista para ocorrer até o final de julho, a medida irá afetar 32 lojas de fábrica instaladas no espaço, que geram aproximadamente 100 empregos diretos. A crise econômica de 2008 e a concorrência desleal com o mercado chinês são apontadas como as principais causas do enfraquecimento do setor.
Ledo Mazzei Massoni Filho, um dos sócios da empresa, revela que tentou protelar ao máximo a decisão de encerrar as atividades, mas a manutenção do shopping tornou-se insustentável. “Nós tínhamos estabelecido algumas metas e alguns pontos de equilíbrio mínimos que, já há algum tempo, não vinham sendo alcançados”, explica. “Eu cheguei a bancar alguma coisa aqui durante bom tempo acreditando que fosse haver uma recuperação, mas infelizmente não houve”.
Ele conta que os lojistas foram notificados sobre a decisão durante assembleia realizada no início deste mês. Segundo o empresário, todos eles entenderam as razões do fechamento, que seria “praticamente irreversível”. “Eles têm 90 dias sem custos, sem pagar aluguel, para poder encerrar a atividade e vender a coleção de inverno”, diz. Além dos donos das fábricas, o secretário de Desenvolvimento Econômico e o prefeito de Jaú também foram avisados sobre o fechamento.
De acordo com Massoni Filho, o setor calçadista, por ser um ramo mais frágil da economia, foi duramente atingido pela crise mundial de 2008. “A queda da atividade econômica está sendo muito grande, assustadora”, afirma. Ele revela que, das 40 lojas disponíveis na Cia. do Calçado, apenas 32 encontram-se ocupadas. “Nós imaginávamos que fôssemos ter, em função de uma série de coisas, uma reação mais forte, mas o câmbio trabalhou contra”, diz.
O empresário explica que o prédio ocupado pela Cia. do Calçado, localizado na avenida Deputado Zien Nassif, 900, às margens da rodovia SP-225, próximo ao contorno rodoviário, poderá ser alugado para empresas de outros setores da economia. Entre os que já teriam manifestado interesse em se instalar no local estão uma concessionária de veículos e uma empresa do ramo da construção.
Agravantes
Entre os fatores que contribuíram com a diminuição nas vendas e, consequentemente, com a queda de receita, Massoni Filho cita a concorrência desleal com o mercado chinês, a elevada carga tributária no País, a alta dos juros e a alíquota do ICMS, que era de 18%, passou para 12% e, hoje, está em 7%. Segundo ele, no Sul e em Minas Gerais, esse imposto é de 3%. “Você está fora do mercado. Você continua pagando o dobro do que outros estados pagam”, desabafa.
Na opinião do empresário, esse processo de enfraquecimento da economia tende a acentuar-se, o que exige do setor uma postura de reavaliação de conceitos visando à diminuição dos níveis de risco.
“O microempresário tem que ter duas posturas completamente antagônicas – você tem que ser otimista para tentar confiar nos negócios e fazer novos investimentos e tem que ser pessimista ou realista para não tirar o pé do chão e ficar sem apoio”, ressalta.
Efeitos negativos
Na avaliação do prefeito de Jaú, Osvaldo Franceschi Júnior (PV), o fechamento da Companhia do Calçado irá resultar em perdas para a cidade. “O fechamento de um shopping como a Cia. do Calçado traz uma série de consequências para o município porque, além do fechamento do ponto de vendas em si, há o fechamento de postos de trabalho, a perda da arrecadação de ICMS, a nota fiscal eletrônica”, afirma.
Ele ressalta que a prefeitura sempre deu apoio ao empreendimento, inclusive com a realização de mudanças no trânsito para facilitar a chegada de clientes ao shopping. “Na parte política, trabalhamos muito. Lutamos e conseguimos baixar a alíquota do ICMS de 18% para 12% e, agora, de 12% para 7%. De 18% para 12% para quem vende calçado e de 12% para 7% para quem produz o calçado”, explica.
“Fui procurado por vários lojistas que desejam permanecer no local. Sei do espírito empreendedor do empresário Ledo Mazzei e pretendo procurá-lo para que reveja a decisão de fechar a Cia do Calçado”. O JC também entrou em contato com o Sindicato das Indústrias de Calçados de Jaú (Sindicalçados) mas, até o fechamento desta edição, a entidade não havia dado retorno.