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Malavolta Jr. |
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Ambientação zen e culinária internacional são os diferenciais do Espaço Bangkok Lounge e Bar |
Até há pouco tempo, quem morava nos bairros da cidade tinha de se descolar até o Centro ou fazer uma pequena peregrinação pelos bairros da Zona Sul da cidade para poder desfrutar de bares e restaurantes especializados em alta gastronomia ou de locais com uma estrutura mais requintada.
Satisfazer o desejo de beliscar um petisco mexicano em plena quarta-feira, por exemplo, era sinônimo de um grande desafio. Para superá-lo era necessário percorrer a cidade até a Zona Sul e ainda contar com a sorte para encontrar um lugar aberto e sem filas. E se a comida fosse tailandesa, então, as dificuldades para satisfazer tal desejo tornavam-se ainda maiores.
Contudo, com o crescimento geográfico e econômico do município, este cenário está se transformando. Isso porque, cada dia mais, os bairros da cidade têm se tornado unidades independentes e isto inclui ter em seus territórios restaurantes e bares dos mais variados tipos.
Na Vila Giunta, por exemplo, pequenos comércios como lanchonetes, sorveterias e lojas prestadoras de serviço dividem espaço com três restaurantes sofisticados: o Aldeia – área de lazer e alimentação, que oferece almoço e jantar preparado no fogão à lenha para um número restrito de pessoas; a choperia Napoleão Choperia e Petiscaria, formatado no estilo barzinho paulistano e que oferece comida de boteco e bebidas; e a Churrascaria Vó Carmela, que serve churrasco aos domingos em um espaço privilegiado pelo verde e pelo clima rural.
No Jardim Bela Vista, outro exemplo: é no tradicional bairro que estão localizados o Bacana’s Bar, especializado em comida oriental, e a Trattoria Don Armando, referência na gastronomia italiana.
A Vila Independência também tem seu representante: o Espaço Bangkok Lounge e Bar, aberto há cerca de um ano, que se destaca no cenário bauruense pela climatização zen e pela culinária internacional, representada por pratos mexicanos, tailandeses, americanos e australianos.
A Vila Industrial a o Jardim Marambá também entram nesta lista ao abrigar, respectivamente, o Dr. Beer, um barzinho com cara de Zona Sul que tem como carro chefe porções no réchaud, e a Divinità Panquecaria e Pastelaria, famosa em toda a cidade pelas panquecas servidas em travessas.
A justificativa destes empresários para o fato de terem dado preferência aos bairros em detrimento do Centro e da Zonal Sul da cidade vai do charme à economia.
“O terreno é meu e, portanto, não preciso pagar aluguel. Sendo assim, posso cobrar um valor menor pelos pratos”, destaca Alberto Nakayama, do Bacana’s Bar.
“Outro fator importante é o espaço verde existente nos bairros. Esse foi um diferencial determinante para que escolhêssemos instalar o bar na Vila Independência”, destaca Márcio Lucena Ishizaka, do Espaço Bangkok Lounge e Bar.
Liz Amaral, proprietária do Aldeia, concorda com Alberto e Márcio, e ainda destaca: “Quem não gosta de poder ir a pé ou de bicicleta para um restaurante bacana perto de casa? Principalmente com a lei seca mais rigorosa essa opção se torna cada vez mais prática”.
O intimismo da Aldeia
Foi buscando um espaço para instalar um boteco que Liz Amaral e Ricardo Viana se encantaram por uma chácara localizada na Vila Giunta e decidiram abrir ali um dos primeiros restaurantes rurais fora do circuito gastronômico da Zona Sul: o Aldeia – área de lazer e alimentação. A mudança de planos ocorreu há cinco anos e foi motivada pelo grande espaço verde existente no local.
“Aos poucos, fomos transformando tudo. Hoje, a chácara tem horta, pomar, palco, rancho, quiosque, playground, bar e uma taberna, que é como chamamos a única construção existente lá”, enumera Liz.
De acordo com ela, o principal desafio foi interferir na rotina das pessoas, que estão habituadas a frequentar bares e restaurantes no Centro e na Zona Sul. Contudo, Liz e Ricardo transformaram o desafio em atrativo.
“Passamos a servir comida caseira, preparada no fogão à lenha, e fazer shows de MPB e forró pé-de-serra. Boa comida, boa música, bons amigos num bom lugar. Esse é o nosso segredo”, revela ela, que acredita que a migração de bares e restaurantes para os bairros da cidade é uma tendência. “Quem não gosta de poder ir a pé ou de bicicleta para um restaurante bacana perto de casa? Principalmente com a lei seca mais rigorosa essa opção se torna cada vez mais prática”, argumenta.
A procura é tanta que quem deseja jantar ou almoçar na casa precisa reservar com antecedência, caso contrário terá de ficar entre a música e o beberico.
As cores e os sabores de Bangkok
Um ambiente zen, coberto por árvores, com móveis rústicos e almofadas espalhadas por todos os cantos. Nas paredes, quadros referentes à cultura asiática destacados por uma iluminação intimista e contextualizados pelo som de uma música tranquila.
No cardápio, pratos da culinária tailandesa, como a porção de iscas de peixe com molho tártaro, chamada "kao sam bucket"; da culinária australiana, como a porção de cebolas fritas e empanadas chamadas "lótus de cebola"; e os famosos nachos, da culinária mexicana.
Com base na descrição acima, muitas pessoas apostariam que se trata de um restaurante de culinária internacional localizado na Zona Sul de Bauru ou até mesmo na Capital paulista. Apostariam e errariam. A descrição acima se refere ao Espaço Bangkok Lounge e Bar, localizado nas entranhas da tradicional Vila Independência.
“Muitas pessoas ficaram encantadas e surpresas ao descobrir que escolhemos a Vila Independência para instalar o Bangkok. Contudo, para eu e meu sócio, Massao Akimini Junior, esta foi uma escolha natural e muito bem pensada”, explica Márcio Lucena Ishizaka, sócio proprietário do Bangkok.
De acordo com ele, a escolha da Vila Independência em detrimento da Zona Sul da cidade se deu por vários motivos. O primeiro deles foi o fato de o local abrigar uma grande área verde, que veio ao encontro das raízes do projeto.
“Além disso, apostamos na Vila Independência porque é um bairro que concentra a colônia japonesa, que acreditamos que gostaria de frequentar um bar com ambientação sul asiática”, frisa Márcio, que teve a ideia de abrir o estabelecimento após viajar por três vezes para a Tailândia.
O resultado da combinação da gastronomia internacional com o aconchego da Vila Independência não poderia ter sido melhor. Em pouco menos de um ano de existência, o Espaço Bangkok já espalhou sua fama por todos os cantos da cidade.
“Acho que acertamos na localização. Os clientes gostam de saber que existe e, principalmente, de frequentar bares fora do centro comercial. O estacionamento e o clima intimista são grandes diferenciais. A cidade está se expandindo e a migração gastronômica para os bairros é uma tendência”, afirma Márcio.
O charme da Itália na Bela Vista
A saborosa comida italiana é e sempre foi um sucesso entre os bauruenses, tanto que massas como lasanhas, polpetones e macarrões figuram nos cardápios e restaurantes de bares localizados nos quatro cantos da cidade.
Contudo, aliar a tradicional gastronomia do país da bota com o charme do Jardim Bela Vista foi fator determinante para o sucesso da tradicional Trattoria Don Armando, localizada há nove anos na quadra 3 da rua Alto Acre.
“Na verdade, a Trattoria foi instalada aqui por acaso. Seu idealizador tinha um terreno no bairro e pretendia abrir um negócio familiar. Por conta de sua origem italiana, optou por um restaurante com comidas típicas. O tradicionalismo e o charme do bairro ajudaram a consolidar a Trattoria fora da Zona Sul”, explica Marcelo Graziani, proprietário do local há 3 anos. A decoração do espaço baseada em elementos marcantes de Bauru como a ferrovia, a comunicação e a aviação, agregaram ao local um aspecto intimista, típico das cantinas localizadas no Bexiga, na Capital paulista.
Hoje, o local, que oferece mais de 40 tipos de massas e 15 tipos de filés e peixes, extrapolou os limites do bairro e ganhou fama regional.
“Cerca de 90% dos meus clientes são da Zona Sul”, conta Marcelo, que confessa já ter pensado em se mudar do bairro. “Por um lado, o charme da Bela Vista agrega muito à Trattoria. Por outro, penso que perdemos porque o bairro é distante e fora de mão para quem está do outro lado da cidade. Nos dias de semana, por exemplo, entendo que as pessoas dão preferência aos lugares mais próximos de casa”, pondera.
Toda a pompa de Napoleão na Vila Giunta
Quem passa pela quadra 14 da Bernardino de Campos, na Vila Giunta, não deixa de reparar em um grande prédio, todo pintado de vermelho, que ostenta em sua fachada o anúncio de um ousado projeto: a Napoleão Choperia e Petiscaria.
Com padrões de Zona Sul, o bar aberto há três semanas, além de chamar a atenção de quem passa pelo local, anuncia a tendência da migração de bares e restaurantes de alto padrão para os bairros da cidade.
“Como diz o ditado, o lugar é a gente quem faz. Por isso decidi abrir a choperia aqui. A Vila Giunta carece de espaços como este e os bauruenses, no geral, gostam de saber que existem alternativas para quem quer curtir a noite com os amigos fora do movimento da Zona Sul”, explica Paulo Fernando Freitas Falchet, proprietário do local.
Mas esta não é a primeira experiência de Paulo neste sentido. Paulistano, ele manteve durante anos na Capital uma pequena boate localizada no Jardim Imperador.
“No início, meus amigos me questionavam, diziam que fora do Centro eu não conseguiria o movimento desejado. Eles estavam errados”, conta ele, que se mudou para Bauru há alguns meses.
No cardápio da Napoleão, comida de boteco, chope, destilados e sucos. Do lado de fora do estabelecimento, filas com espera de até 40 minutos durante os finais de semana.
“Sinal que a propaganda boca a boca está funcionando”, constata, rindo.
A divina panqueca do Marambá
Em time que está ganhando não se mexe. O antigo ditado poderia muito bem ser uma das justificativas para o fato de a Divinità Panquecaria estar localizada há 12 anos na mesma avenida do Jardim Marambá, mesmo após ter passado por várias mudanças de prédio.
“Tudo começou com uma pequena barraquinha de pastel. A Mara, minha esposa, vendia pastéis em frente à casa da minha mãe. Depois, nos casamos e instalamos a pastelaria na garagem de casa. Com o tempo, mudamos para uma pequena loja. A necessidade de mais espaço aumentou e fizemos outras duas mudanças até chegar onde estamos hoje”, explica André Luiz Carrero, proprietário do local.
Atualmente, a panquecaria está instalada em um prédio novo, com direito a móveis padronizados, ar condicionado e vários ambientes. Além dos pastéis, a casa é famosa pelas panquecas com mais de 50 sabores de recheios e três tipos de molho servidas em travessas.
André conta que permanecer no bairro de origem foi uma estratégia bem além do que diz o ditado. Ele e a esposa consideraram o crescimento constante da região e o número de pessoas que mora por ali na hora de tomar a decisão.
E 12 anos foi tempo suficiente para que as iguarias de Silmara Carrero, mais conhecida como Mara, ganhasse fama na cidade e extrapolasse os limites do bairro.
“O Marambá é uma região muito populosa e com bom poder aquisitivo. Nossa fama se espalhou e, atualmente, recebemos clientes vindos de toda parte da cidade, inclusive da Zona Sul”, comemora.
O sabor único da comidinha da vó
Que tal almoçar um suculento espeto de carne acompanhado de salada, arroz e feijão e depois deliciar-se com doces em compota como sobremesa, tudo isso em um cenário rústico e em contato com a natureza? Essa é a proposta da Churrascaria Vó Carmela, localizada na Vila Giunta.
O restaurante, aberto há três anos, foi propositalmente instalado longe do circuito da Zona Sul. Entre os motivos da escolha, o fato de Sérgio Alonso Leão, proprietário do local, ter um terreno na Vila Giunta.
“Trabalhei por muitos anos em uma churrascaria da cidade e, como já tinha este terreno, decidi abrir meu próprio negócio. Além do mais, o Centro e a Zona Sul já têm de tudo”, salienta ela, que mora na Zona Sul.
Mesmo apostando no potencial do bairro, Sérgio teve cautela e investiu no negócio aos poucos: devagar foi ampliando o salão, incrementando o cardápio e, atualmente, tem até espaço para crianças.
“É um espaço superagradável e familiar. Com cara de Vila Giunta. Funciona assim: a pessoa escolhe o espeto, que dá para dois e varia de R$ 26,00 a R$ 54,00, e ganha os acompanhamentos e a sobremesa”, explica.
O lado bacana da comida chinesa
O espaço onde o Bacana’s Bar está instalado é simples: as mesas quadradas de ferro ficam dispostas em todo o salão do pequeno imóvel, cobertas com toalhas e cobre-mancha de plástico. Mas o sabor do prato principal da casa, o Yakissoba, este, sim, ganha destaque em Bauru e região. Tanto é que, nos finais de semana, é preciso enfrentar fila para provar da delícia da casa.
“É um sucesso, mas eu realmente não esperava por isso. Abrimos o Bacana’s há 15 anos porque tínhamos um terreno aqui no Bela Vista e queríamos montar um comércio. Então, começamos vendendo pizza e lanche. Com o tempo, as pessoas foram pedindo comidas orientais e atendemos. De lá para cá, o Yakissoba tornou-se o carro-chefe da casa”, conta Alberto Nakayama, dono do Bacana’s.
E já que o negócio superou suas expectativas, nada mais natural do que afirmar que nunca pensou em mudar o restaurante de endereço.
“Para quê? Todo mundo conhece aqui, não pago aluguel, o que permite manter o valor dos pratos, e a Zona Sul está toda congestionada... Além disso, não tenho mais fôlego para grandes mudanças. Está bom como está”, avalia.
E a tradição supera até mesmo a modernidade. Isso porque Alberto orgulha-se em dizer que a casa não depende da tecnologia para sobreviver.
“Não aceitamos nem cartão de crédito, nem de débito. A melhor propaganda é a boca a boca. Se a comida, o atendimento e o preço são bons, o cliente não se importa de sair da Zona Sul. E, se ele se importar, nós entregamos em casa”, afirma, rindo.
Chope e porções na Vila Industrial
Quem não gosta de ter, pertinho de casa, um barzinho capaz de oferecer boas porções e bebidas em um ambiente agradável e a um preço justo? Foi avaliando a resposta desta combinação que Almo Garcia decidiu comprar o Dr. Beer, um bar localizado ao lado de um posto de gasolina na Vila Industrial.
“Um investidor projetou o bar com a intenção de vendê-lo. Gostei da ideia e decidi apostar minhas fichas no investimento”, explica Almo.
Para a atrair a clientela, Almo optou por uma decoração rústica no estilo Rock n’ Roll e nas porções de boteco. A especialidade da casa são os réchauds com carne, mandioca, pão, vinagrete e outros molhos, mais conhecidos como chapinha.
Deu certo: os moradores do bairro foram os primeiros a prestigiar a novidade e, em um ano, o bar já recebe público dos quatro cantos da cidade.
“Por estar em um bairro, o Dr. Beer conquistou uma clientela bem família. São pessoas que buscam tranquilidade, estacionamento fácil e bom preço. Acredito que a Zona Sul está saturada e os bairros carentes neste sentido”, aponta Almo, que pretende expandir negócio para outros bairros de Bauru.