09 de julho de 2026
Geral

Ballet Stagium emociona ao som de Adoniran Barbosa

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 2 min

Com mais de 3.359 espetáculos assistido por quase 2 milhões de pessoas no currículo, o Ballet Stagium dançou Adoniran Barbosa em Bauru. Ao som de 12 canções do compositor paulistano, que completaria 100 anos em 2012, os bailarinos trouxeram, para a Virada Cultural, os dramas cotidianos do sambista, que ganharam movimentos precisos, emocionando o público do Teatro Municipal.

A temática social, presente em muitas canções de Adoniram, como o clássico imortalizado por Elis Regina, Saudosa Maloca, confirma a trajetória do grupo criado em 1971, no contexto da ditadura militar. Paulistano como o compositor homenageado, o Stagium seguiu os passos do Teatro Oficinal e do Cinema Novo, levando para a dança a criticidade que o momento político exigia.

Mesmo com a democratização, a diretora do Ballet, Marika Gidali, garante que o grupo ainda tem muito a dizer. “Nada contra a beleza pela beleza, porque todo mundo precisa dela, mas não é esse caminho. Não falamos mais de ditadura, mas continuamos lutando pela liberdade, pela sobrevivência, pelo ser humano. Mas o mundo mudou e temos muitas coisas bonitas do que falar. Dançamos o pantanal, dançamos o índio”, comenta.

Para o espetáculo em homenagem a Adoniram, o grupo adotou a estética clown. “Ele era meio palhaço, falando sobre coisas seríssimas. Entramos nessa área do cinco para brincar, como ele fez durante sua vida inteira”, explica.

A diretora pontua que o grupo busca, cada vez mais, aprofundar sua brasilidade, sem ser regionalista, universalizando a arte produzida no País. Para executar todo este conceito com a precisão e a delicadeza apresentadas ontem em Bauru, Marika conta que os ensaios são diários. “Trabalhamos de segunda a sexta-feira, das 10h às 15h. E nos finais de semana temos os espetáculos”.

Gidali divide a direção do Ballet Stagium com Décio Otero. Os dois foram os fundadores do grupo, na década de 1970. Ao longo dos 41 anos de história, veio o reconhecimento internacional do trabalho desenvolvido em mais de 80 coreografias montadas.

A estudante Maitê Borges de Oliveira, 18 anos, não segurou a emoção ao fim do espetáculo do Ballet Stagium. “Além da beleza da apresentação, sempre que vejo um espetáculo de dança, sinto um turbilhão de emoções. Fiz balé, mas deixei este sonho para realizar o da universidade. Chega até a doer”. Além disso, a universitária é paulistana e rememorou sua terra com as canções de Adoniran Barbosa, um dos principais ícones da cidade. “Dá até uma dor. Ele é a cara de São Paulo. Impossível não lembrar da tristeza noturna, dos imigrantes italianos”, conta Maitê.