09 de julho de 2026
Nacional

Baixo investimento pode travar crescimento do País


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São Paulo - A crise internacional e as perspectivas cada vez mais incertas para a economia brasileira travaram os investimentos no País. Indicadores conhecidos como antecedentes (conjunto que, somado, dá origem aos dados consolidados) e informações de bastidores de mercado indicam que tanto o setor público quanto o privado pisaram no freio. Essa situação cria um ciclo vicioso, no qual o baixo investimento diminui o crescimento e o baixo crescimento reduz o investimento

Para se ter uma ideia, esse foi um dos temas debatidos na sexta-feira numa reunião do diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo, com analistas de mercado em São Paulo. “Existe o temor de que o investimento baixo de hoje signifique oferta menor lá na frente. E oferta menor pode resultar em inflação mais alta”, afirmou um dos participantes do encontro.

A economista Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria Integrada, pegou alguns dados, fez as contas e chegou a conclusões preocupantes. Ela notou que, apesar do crescimento anêmico da indústria no primeiro trimestre, o nível de utilização da capacidade instalada (conhecido pela sigla Nuci) subiu. Entre janeiro e março, a produção industrial caiu 0,5% e o Nuci avançou 0,6%.

Outro indício diz respeito ao consumo aparente de bens de capital - calculado com base na soma de produção local e importações, subtraída das exportações. No primeiro trimestre, houve queda de 4,5% ante período anterior. “Com base nesses números, nossa projeção é de que a taxa de investimentos tenha caído 3,1% no primeiro trimestre (em relação ao anterior).”

Os dados oficiais sobre o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) entre janeiro e março de 2012 só serão divulgados em 1º de junho. Além do crescimento em si, há grande expectativa sobre os investimentos. No fim de março, a presidente Dilma Rousseff afirmou que a taxa de investimentos no Brasil deveria caminhar para 24% ou 25% do PIB. Em 2011, ficou em 19,5%.

O número da presidente não surgiu por acaso. Economistas avaliam que, para o País crescer de forma sustentável de 4% a 5% ao ano (meta de Dilma), precisaria levar a taxa de investimento ao nível citado pela presidente.