Chicago - Os líderes da Otan selaram um acordo histórico ontem para passar o controle do Afeganistão às próprias forças de segurança até meados do ano que vem, colocando a aliança ocidental em uma trajetória “irreversível” para sair de uma guerra impopular que já dura mais de uma década.
A cúpula da Otan em Chicago endossou formalmente uma estratégia apoiada pelos Estados Unidos que pede a retirada gradual das tropas de combate estrangeiras até o fim de 2014, mas deixou sem respostas questões importantes sobre como evitar que o país mergulhe no caos e a ressurgência do Taliban depois que os aliados partirem.
O encontro de dois dias entre os 28 países da aliança foi um marco na guerra. O conflito foi deflagrado pelos ataques de 11 de Setembro e já dura três governos presidenciais dos EUA, seguindo mesmo depois da morte do líder da Al Qaeda, Osama bin Laden.
O presidente Barack Obama e os parceiros da Otan tentaram mostrar aos eleitores que o fim da guerra do Afeganistão já pode ser vislumbrado e aos afegãos que o país não será abandonado. O conflito tem comprometido os orçamentos dos países do Ocidente, assim como a paciência.
A decisão do novo presidente da França, François Hollande, de retirar as tropas francesas até o fim de dezembro - dois anos antes do cronograma da Otan - suscitou temores de que outros aliados também pensem em apressar a saída.
Em uma declaração ao final do encontro, os líderes da aliança ratificaram os planos para que a Força Internacional de Assistência à Segurança, liderada pela Otan, entregue o comando de todas as missões de combate às forças afegãs até meados de 2013 e retire a maioria dos 130 mil soldados estrangeiros até o fim de 2014.
A declaração cunhou a medida de transição “irreversível” a uma responsabilidade plena sobre a segurança pelas tropas afegãs, e indicou que a missão da Otan em 2014 deverá passar a um papel de treinamento e assessoria. “Essa não será uma missão de combate”, diz o documento.
Permanecem as dúvidas, porém, sobre a capacidade das forças afegãs de se impor contra a insurgência do Taliban - incapazes de serem derrotadas pelas forças ocidentais em quase 11 anos de confronto.
Obama destaca avanço
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou que avançam “a passos rápidos” as negociações entre a aliança militar do Ocidente e o governo do Paquistão para recuperar a rota do envio de suprimentos para as tropas do Afeganistão.
“Nossas nações e o mundo têm um interesse vital no sucesso dessa missão”, disse Obama a uma sessão da cúpula sobre o Afeganistão. “Estou seguro de que podemos avançar nesse objetivo hoje e, de forma responsável, colocar um fim a essa guerra.”
O presidente americano teve uma conversa com seu homólogo paquistanês, Asif Ali Zardari, em que pediu a participação do país como parte da solução do problema afegão e tentou diminuir a tensão entre os Estados Unidos e o Paquistão, aumentada após a operação que causou a morte de Osama bin Laden, em 2011.
Obama ainda mostrou preocupação com o crescimento do grupo terrorista Al-Qaeda no Iêmen, após o ataque que causou a morte de pelo menos 90 soldados na capital Sanaa e que está trabalhando em conjunto com o governo iemenita para identificar as lideranças da Al-Qaeda na península Arábica.
Grécia
Obama afirmou ainda que os líderes mundiais concordam que a Grécia deve permanecer na zona do euro apesar da crise econômica e política no país europeu.
Em entrevista coletiva após a cúpula da Otan, em Chicago, Obama declarou que os líderes europeus estão mais determinados a encontrar uma solução para resolver a crise na zona do euro e pediu uma coordenação mais efetiva dos governos. O americano ainda disse que os bancos da Europa precisam ser recapitalizados e devem ser criados mecanismos para evitar que os países sejam contagiados pelos resultados ruins das instituições financeiras.