Um único tiro no lado direito do peito. Foi este o disparo que tirou a vida de José Rodrigo Silva, 28 anos, na madrugada de ontem em um motel no bairro Águas Virtuosas, em Bauru. O detalhe é que o tiro que o matou foi disparado por um policial militar (PM) em atendimento a uma ocorrência de roubo no estabelecimento. De acordo com a polícia e testemunhas, José Silva era um dos assaltantes e apontou uma arma para os policiais. A morte será investigada.
O caso ocorreu por volta da meia-noite de domingo para segunda-feira. Segundo o boletim de ocorrência (BO), a PM foi acionada para atender um assalto em andamento no motel, que fica às margens da rodovia João Baptista Cabral Rennó (SP-225), e enviou uma viatura para o local. Como os policiais estavam em patrulhamento em um rodeio em Piratininga, próximo ao estabelecimento, chegaram rapidamente à cena do crime.
Lá, ainda de acordo com a versão dos policiais, os portões da entrada estavam fechados e um suspeito magro e aparentando estar com uma espingarda foi visualizado perto da portaria. Quando correu, os policiais chegaram a atirar, porém, não acertaram e ele conseguiu fugir. Este homem seria o parceiro de José Rodrigo da Silva na tentativa de roubo ao motel.
Enquanto o primeiro suspeito fugiu, José da Silva teria visto os policiais e, dentro de um dos cômodos, feito uma camareira refém. Segundo o BO, ele estava com um revólver calibre 38 e ainda outro simulacro de arma de fogo nas mãos.
Por conta da situação, a refém começou a passar mal e quase teria desmaiado no quarto. Foi neste momento que ela conseguiu se desvencilhar do assaltante, que, ainda de acordo com o registrado no BO, apontou imediatamente as armas para o policial.
“Ao longo de tentativas de negociação para liberação da refém, a mesma começou a passar mal, conseguindo desvencilhar-se do infrator, que apontou a arma contra um dos policiais militares, que em legítima defesa, efetuou um único disparo que atingiu o infrator da lei”, disse a assessoria de comunicação da PM, em nota.
Socorro
O disparou atingiu o lado direito do peito de José Rodrigo Silva. Baleado, o homem chegou a ser socorrido e levado ao Pronto-Socorro Central (PSC). Ele foi conduzido ao centro cirúrgico do Hospital de Base (HB), entretanto, não resistiu e morreu por volta das 5h de ontem.
Além da camareira, a porteira do local também teria sido rendida pelos assaltantes. Ela, porém, teria conseguido fugir e pedido ajuda a clientes, que acionaram a PM.
A Polícia Científica realizou a perícia no motel. Lá, foram apreendidos o revólver, o simulacro de arma de fogo com numeração raspada, um capuz que estaria sendo usado por José Silva e ainda R$ 165,00. Apesar desta quantia em dinheiro apreendida, as vítimas afirmam que foram levados R$ 400,00 do motel. A arma utilizada pelo policial também foi apresentada e recolhida.
Investigação
A PM, por meio da assessoria de comunicação, enviou nota confirmando a história dos policiais. A legítima defesa e a necessidade do uso da arma de fogo também foram ressaltadas. Ontem, a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) da Polícia Civil assumiu as apurações. Apesar de ter sido registrado BO pelo roubo e resistência, o caso investigado é o homicídio.
“Iremos investigar para saber o que realmente ocorreu. A versão dos policiais envolvidos é apenas uma das que vamos investigar no inquérito”, afirma o delegado responsável pelo caso, Cledson Luiz do Nascimento.
No fim da tarde de ontem, ele esteve com outros policiais civis no estabelecimento onde o caso ocorreu. “As funcionárias confirmaram que os homens chegaram e as renderam. A história é muito parecida com a que foi relatada pelos policiais. Só faltam alguns detalhes que iremos checar”, revela o delegado.
Além de apurar as reais circunstâncias em que a morte de José Rodrigo Silva ocorreu, a polícia investiga ainda o roubo. “Também iremos trabalhar para identificar este segundo indivíduo que teria participado do assalto”, complementa Cledson do Nascimento.
Assaltante era ex-funcionário do motel e foi descrito como pacífico
De acordo com a Polícia Civil, José Rodrigo da Silva, 28 anos, trabalhava no local como vigia até o fim do ano passado. “Segundo o que apuramos, ele era um ex-funcionário do motel. Ele trabalhava aqui e saiu quando o proprietário instalou um sistema de monitoramento mais moderno. Então, o próprio José Rodrigo teria pedido para sair. Foi algo pacífico”, conta o delegado Cledson Luiz do Nascimento. E se a saída do emprego foi de modo pacífico, ele também foi descrito assim pelos funcionários aos policiais. Morador das proximidades do motel, José Rodrigo da Silva aparentava estar alcoolizado no momento do roubo.
De acordo com o BO, o computador com as imagens do monitoramento foram levados do local e as câmeras estavam viradas para cima. “Da nossa parte, não podemos informar isto. Existem detalhes que não podemos revelar para não atrapalhar as investigações”, aponta o delegado Cledson do Nascimento, que deve concluir o inquérito dentro de 30 dias.