Nova York - A AIEA, a agência de energia atômica da ONU, disse ontem estar perto de um acordo pelo qual o Irã permitirá a seus inspetores investigar indícios de que trabalhou na construção de uma bomba nuclear numa base militar.
O anúncio surge um dia após encontro em Teerã entre o chefe da AIEA, Yukiya Amano, e autoridades iranianas e reforça o otimismo na véspera de uma reunião política em Bagdá entre o Irã e as grandes potências.
“A decisão de concluir o acordo foi tomada. Posso dizer que será assinado em breve”, disse Amano, sem dar mais detalhes.
“Compreendemos melhor as posições um do outro”, acrescentou Amano.
O diplomata deixou claro que “divergências” persistem, mas afirmou que o acordo planejado atende a principal preocupação da agência: o acesso dos inspetores da ONU à central militar de Parchin, sul de Teerã. Em novembro, a AIEA divulgou um relatório, feito com base em agências de espionagem não identificadas, afirmando existir sinais “críveis” de que o Irã testou em Parchin artefatos normalmente usados na fabricação da bomba nuclear.
Desde então, a agência pediu reiteradas vezes para visitar a base, examinar documentos e entrevistar cientistas. Um centro de estudos americano disse há algumas semanas ter obtido imagens de satélite mostrando que o Irã está “limpando” o local.
EUA desconfiam
O governo dos Estados Unidos declarou ontem que o Irã “será julgado” pelos avanços no programa nuclear, mas vê como “um passo a frente” o acordo da República Islâmica com a AIEA.
“É importante notar que o anúncio de hoje (ontem) é um passo adiante, mas os Estados Unidos julgarão o comportamento de Teerã com base nos seus atos”, afirmou o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, em entrevista coletiva. “Promessas são uma coisa, ações e cumprimento de obrigações são outra.”
O representante confirmou que o governo americano continuará pressionando as autoridades de Teerã a suspenderem as atividades atômicas, com o uso de sanções econômicas contra o país e membros do governo de Mahmoud Ahmadinejad.