08 de julho de 2026
Nacional

Como esperado, Cachoeira se cala

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - Diante da negativa do empresário Carlinhos Cachoeira de responder às perguntas dos parlamentares, a CPI do Cachoeira encerrou a reunião que tentava obter o depoimento do empresário, que usou o direito constitucional de ficar calado, já que é investigado pela comissão.

 

Durante a sessão, o empresário deu as mesmas repostas às perguntas que lhe foram feitas e chegou a se incomodar com a insistência. Cachoeira foi inclusive xingado pelos parlamentares. O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) o chamou até de “marginal”.

 

O presidente da CPI, Vital do Rego (PMDB-PB), decidiu tentar marcar uma nova data para o depoimento, depois que Cachoeira falar na Justiça.

 

Ao sair da sessão, o advogado do empresário, Marcio Thomaz Bastos, afirmou que seu cliente pode auxiliar nas investigações, mas ainda acredita que a Justiça irá suspender parte das provas reunidas contra ele pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo.

 

“A intenção dele é contribuir, mas é preciso que ele contribua sem que seu direito de defesa seja ferido”, disse.

 

O advogado ressalvou que Cachoeira pode guardar silêncio. “Ele pode não falar nunca, se quiser, é um direito que ele tem”, disse.

 

Ex-ministro da Justiça, Thomaz Bastos afirmou que o depoimento poderia ocorrer depois que Cachoeira seja julgado no processo oriundo da Monte Carlo, que corre na Justiça em Goiânia (GO). “Espero estudar as provas para dar a ele uma orientação segura.”

 

 

 

Audiência

 

Durante a sessão, o empresário deu as mesmas repostas às perguntas que lhe foram feitas, e chegou a se incomodar com a insistência dos parlamentares.

 

“Ajudaria muito, deputado, mas somente após a minha audiência. Por enquanto ficarei calado como manda a Constituição”, afirmou o empresário. “Tenho muito a dizer depois da minha audiência, pode me convocar.”

 

Segundo ele, os parlamentares forçaram a audiência. “Antes de eu depor no juiz eu não posso falar, não vou falar. Depois disso, vamos ver. Foi o pedido de sempre para reavaliar nossa vinda. Quem forçou foram os senhores.”

 

 

 

Delação Premiada

 

Márcio Thomaz Bastos, descartou a possibilidade de seu cliente fazer uso da delação premiada, benefício que permite ao acusado reduzir sua pena em troca de informações que ajudem na investigação de crimes.  “Não existe essa possibilidade”, afirmou o advogado, ao ser questionado por jornalistas após o depoimento de Cachoeira na CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) que investiga a relação do contraventor com parlamentares e agentes públicos. Cachoeira recusou-se a responder às perguntas feitas durante as 2h30 do depoimento, mas afirmou que tem “muito a dizer” à Justiça de Goiás.

 

 

 

Esposa

 

A mulher de Cachoeira, Andressa Mendonça, roubou os holofotes em sessão da CPI. Ela qualificou como “ótimo” o depoimento do marido à CPI.

 

 

STJ decide manter prisão de empresário

 

Brasília  - Os ministros da Quinta Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça) decidiram, por 3 votos a 1, manter preso o empresário Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira. 

 

O julgamento do habeas corpus de Cachoeira começou na semana passada, mas foi interrompido por um pedido de vista do desembargador convocado Adilson Macabu, que alegou estar com “inquietações jurídicas”. Na ocasião, o placar já estava em 3 votos a 0 pela manutenção da prisão de Cachoeira e havia poucas chances de algum ministro mudar de posição.

 

Na retomada do julgamento ontem à tarde, Macabu disse que não há motivo para manter Cachoeira preso neste momento do processo. “A prisão é última medida a ser tomada antes da sentença final. Medidas alternativas não representam impunidade”, disse o desembargador.

 

 

Delta

 

O relator da CPI, Odair Cunha (PT-MG), disse que o MP do DF levantou indícios de que o ex-diretor da Delta no Centro-Oeste Cláudio Abreu, que tinha estreita ligação com Cachoeira, detinha procuração para movimentar contas bancárias abertas pela direção nacional da construtora. Uma dessas contas, disse o relator, foi a mesma que alimentou empresas-laranjas utilizadas pelo grupo de Cachoeira e de Abreu em Goiás. “A partir da quebra do sigilo de Cláudio Abreu e das contas das quais ele é procurador, ficou evidenciado que uma dessas contas era da Delta nacional”, disse o relator.