16 de maio. A professora universitária Glória (por motivos de segurança, somente o primeiro nome foi divulgado) completava exatos 60 anos. Comemoração? Não. Ao chegar em sua residência de noite, ela viveu momentos de horror. Antes de o portão fechar, uma dupla armada invadiu a casa. Os assaltantes chegaram a jogar gasolina na mulher e dizer que iam queimá-la. Ela foi apenas uma das vítimas abordadas ao chegar ou sair de suas residências em Bauru.
A professora ainda leva no rosto as marcas do assalto da semana passada na Vila Universitária. E esta não foi a primeira vez que Glória foi abordada e roubada da mesma maneira. Em outubro do ano passado, um trio, também armado, entrou no imóvel e a rendeu. Modo de operação semelhante, horário de abordagem semelhante e terror semelhante.
“Naquela ocasião, eles levaram dinheiro e joias. Acredito que sejam os mesmos que voltaram agora. Moro com minha mãe, de 86 anos. Por sorte, ela não estava em casa na semana passada”, relembra o drama vivido.
E se a chegada em casa merece atenção, a saída também representa o mesmo risco. Um caso que alarmou o Brasil foi o do pesquisador José Sidnei Gonçalves, 55 anos, do Instituto de Economia Agrícola (IEA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado.
Ele foi assassinado anteontem à noite quando em frente à residência na Capital. O carro do engenheiro, que era irmão do editor de política do JC, Nélson Gonçalves, foi levado pelos bandidos (Leia mais na página 17).
A Polícia Militar (PM) confirma que, quando estão chegando ou saindo de suas residências, as pessoas realmente se tornam vítimas em potencial dos assaltos. Apesar disso, ele ressalta que o número de roubos a residências não é elevado em Bauru.
“A PM, até por estar muito focada na prevenção, tem preocupação grande com os roubos. Aqui [em Bauru] não há muitos assaltos em residências, porém, grande parte das ocorrências que temos ocorre desta maneira: com as vítimas sendo abordadas chegando ou saindo de casa”, aponta o major Flávio Jun Kitazume, subcomandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPMI).
Zona de conforto
O major acredita que as pessoas entrem em uma espécie de “zona de conforto” quando estão próximas de suas casas. Isto justificaria o fato de elas reduzirem o nível de atenção e se tornarem “presas fáceis” dos criminosos.
“É exatamente isto que não pode acontecer. As pessoas não devem viver neuróticas, mas precisam estar sempre atentas. A maior parte da segurança é obtida por meio dos procedimentos corretos”, destaca Kitazume.
Além de dicas para se prevenir dos ladrões (veja no quadro ao lado), o major ainda complementa que a arquitetura do imóvel pode ser “vilã” ou “aliada” na questão.
“Se a casa tem pontos de sombra, facilita o ladrão se esconder e até se ocultar de câmeras de vigilância ou de um patrulhamento policial. O mesmo vale para vegetações em frente à residência”, completa o subcomandante da 4º BPMI, Flávio Kitazume.
Oportunistas
Segundo a Polícia Militar, há casos em que os bandidos “estudam” a rotina das vítimas antes de agir. Porém, segundo o major Flávio Jun Kitazume, subcomandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPMI), a maior parte dos assaltos com abordagens na chegada e saída de residências é feita de maneira “oportunista”.
“Pela nossa experiência, vemos que, em muitos casos, os ladrões saem e ficam circulando, esperando exatamente a oportunidade em que alguém se descuidou. É por isso que é muito importante as pessoas terem atenção redobrada nestes momentos”, completa o major Kitazume.
Em festas: cuidado
Outro momento bastante aproveitado pelos criminosos é o final de eventos ou a saída de bares e restaurantes. Em dezembro de 2010, uma jovem de 20 anos, moradora da zona sul de Bauru, foi rendida após sair de uma festa com amigos por três pessoas. Ela foi brutalmente estuprada e o caso chocou a cidade.
O major Flávio Jun Kitazume, subcomandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPMI) afirma que os mesmos cuidados ao sair da residência devem ser tomados em saídas de eventos.
“Um ponto que vale ser destacado é o local onde o carro é estacionado. O motorista deve parar o automóvel em locais muito afastados e com pouca iluminação”, aconselha Kitazume, completando ainda que as pessoas devem evitar saírem sozinhas dos estabelecimentos.
Namoro de portão?
Você está com sua namorada e vai deixá-la em casa. Antes de se despedirem, conversam mais um pouco e ficam no famoso “namoro de portão”. O major Flávio Jun Kitzaume alerta que, seja no portão de casa, condomínio ou dentro do carro, esta situação deve ser evitada.
“São situações extremamente perigosas, principalmente em locais escuros e de pouca segurança. Os ladrões querem facilidades e procuram momentos exatamente como estes. A pessoa nunca deve achar que não vai acontecer com ela”, conclui.
Uma outra vítima
A vítima mais recente neste modo de operação dos bandidos foi um homem, de 51 anos, que chegava em sua residência, no Parque Jaraguá. De acordo com o boletim de ocorrência (BO), ele foi abordado por um trio e teve todos seus pertences pessoais levados.
Durante a ação, que ocorreu por volta das 4h30 da manhã de anteontem, a vítima ainda reagiu, porém, foi imobilizada pelos assaltantes, que a jogaram no chão e desferiram chutes contra seu rosto.
O trio fugiu levando a carteira, os documentos pessoais, cartões bancários e o celular do homem.
Furtos em imóveis: crimes à luz do dia
Entre a tarde de anteontem e madrugada de ontem, sete furtos foram registrados pela Polícia Civil. Só na parte da tarde de anteontem, duas residências foram furtadas.
Em um dos casos, na rua Argentina, no Jardim Solange, o imóvel foi invadido por ladrões que levaram batedeira, sanduicheira, DVD player, impressora, netbook, celular, além de roupas femininas, masculinas e infantis.
Uma moradora teria saído para buscar a filha na escola e, quando retornou, pouco tempo depois, encontrou a casa revirada.
Mais casos
Também houve furtos a veículos. Três motoristas foram vítimas dos ladrões.
E furtos a dois estabelecimentos comerciais. Em um deles, em uma loja localizada na rua Agenor Meira, na área central da cidade, ladrões danificaram a porta de entrada e levaram uma folha de cheque de R$ 69,00 e 15 aparelhos de telefonia móvel, além de uma faca. Ninguém foi preso nos casos registrados.
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